sábado, maio 14, 2011

- Me diga o nome de um jogador do Botafogo que seja da mesma importância do Zico! Não vale o Garrincha! – silêncio – Viu, não tem!
A pergunta não foi feita pra mim, mas para uma criatura que, embora tenha nascido em uma casa fanática por futebol, só liga quando é jogo de Copa do Mundo ou alguma decisão. Mas o fato é que a pergunta chegou aos meus ouvidos. E ao contrário de quem me repassou a dúvida, tive resposta imediata.
- É, tem razão. Um nome não tem...
E antes de terminar a resposta que eu dei, uma pausa necessária, porque, duas ou três semanas depois desta conversa, eis que encontro um respaldo teórico para minha teoria (que vou falar mais tarde, basta continuar lendo)

Os dez mais do Botafogo – Paulo Marcelo Sampaio – Coleção Ídolos Imortais
(2009, Editora Maquinaria)

Este livro faz parte de uma série, que pretende reunir “Os Dez Mais” de cada grande clube brasileiro. Uma forma de manter os nomes e feitos destes jogadores registrados, passar histórias para quem não as presenciou ou escutou. Ou ainda descobrir novas versões ou novas histórias. O fato é que o clube da Estrela Solitária, o Glorioso de General Severiano, tem motivos para se orgulhar em sua história (no entanto, como todos os clubes, também tem erros de sobra que não devem ser repetidos). Por isso, o autor, que é botafoguense, acionou outros nove torcedores do clube e pediu que cada um elegesse quem seriam os dez mais do Botafogo. Três nomes tiveram unanimidade: Nilton Santos, Garrincha e Jairzinho. Os outros nomes votados foram Didi, Gérson, Heleno de Freitas, Túlio Maravilha, Zagallo, Paulo César Caju e Manga.

Minha história com o Didi começa pelo fim. Quando ele morreu, eu estava nos primeiros meses do meu emprego e tive que dar a notícia. E, confesso, não sabia muito na época sobre ele, mas mesmo assim fiquei muito triste – afinal de contas, algumas pessoas deveriam ser eternas. O livro detalhou algo que havia lido por alto: o grande amor entre o negro Didi e a branca Guiomar, que interferia na carreira dele ajudando a negociar contratos. Na época, foi um escândalo. Eles enfrentaram isso e completariam 50 anos de casados, mas Didi morreu uma semana antes da data da comemoração. Guiomar foi reencontrá-lo 38 dias depois. E tem gente que ainda duvida do amor de verdade (ou lamenta porque não teve chance de encontrar...)

O livro me ajudou sobre três personalidades do Botafogo sobre quem conhecia pouquíssimo: Heleno de Freitas, Paulo César Caju e Manga. Eu tenho a biografia do Heleno – que inspirou o filme que está sendo feito com o vascaíno Rodrigo Santoro no papel principal – já dei uma olhada por alto, mas ainda não li. Temperamental, galã e apaixonado pelo Botafogo. Era mineiro, de São João Nepomuceno. Vida intensa e trágica. Parece sina dos astros botafoguenses, serem consumidos pela própria intensidade... E irei pesquisar mais sobre a carreira de Paulo César Caju, de comportamento rebelde e que levantou a bola do combate ao preconceito, por senti-lo na pele. E que não se furtava a criticar o que não gostava no Botafogo. O Manga voltou ao noticiário brasileiro há alguns anos – se tornou preparador de goleiros no Equador. Visitou o clube depois de anos e foi apresentado à nova geração de quíperes (aportuguesamento da palavra keeper, goleiro, em Inglês como a imprensa usava antigamente) do Alvinegro. Frasista inspirado, não teve sorte na seleção, mas sabia que, com o time da época (craque de ponta a ponta), podia gastar por conta porque o bicho era certo...

Sobre o Zagallo, só posso dizer o óbvio – ele é parte viva da história do futebol brasileiro. Do Maracanazo (a derrota na Copa de 1950) até o tetra em 1994 e o quase penta em 1998, o Velho Lobo estava presente. Quantas pessoas podem dizer que tem um campeão mundial na história do seu time? E quando a mesma pessoa é bicampeã como jogador, uma como técnico e uma como coordenador técnico? O livro conta histórias do tempo de jogador, quando ele era conhecido como Formiguinha e do início da lendária carreira de “sorte” ao virar treinador para salvar o Botafogo em uma (das muitas) crises (financeiras, neste caso) e terminou levantando o título. E para quem só conheceu Zagallo mais velho, é bem interessante ver as fotos dele (e também dos outros jogadores) mais jovem.

Gérson e Jairzinho estavam no timaço do Botafogo de 1968 e na Seleção Brasileira de 1970, aquela, a melhor de todos os tempos, que ganhou a Taça Jules Rimet. Eu não vi a Copa de 1970, mas sei o filme oficial quase de cor (e reclamo até hoje porque não tem o chute do meio de campo do Pelé que tem o narrador mais torcedor que já vi – ele acompanhou a parábola feita pela bola esticando o “é” final, doidinho pra que ela entrasse no gol da Tchecoslováquia: Pelêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêê...). AMO o gol do Jairzinho contra o Uruguai e o gol do Carlos Alberto Torres, que encerrou o baile contra a Itália, o exemplo-mor do que é um time saber jogar futebol (ah, ele jogou no Botafogo e foi técnico campeão da taça Comembol de 1993). E o Gérson, bem, ele não me conhece, mas eu o escuto quase todo domingo. Ele comenta jogos para a Rádio Globo do RJ (que com muito esforço e muito desvio de rádio religiosa, consigo sintonizar aqui em casa) e me mata de rir. Teve um jogo do Vasco que ele reclamou tanto do “Fááááááááábio Braaaaaaaaaaaaz” que até minha irmã quis saber quem era esse jogador. E as notas para os árbitros? Quase sempre um “zééééééééééééééééééééééééééééééééééééééééro!” Ele veio participar de um evento na minha cidade e eu pedi ao repórter que foi cobrir para pegar um autógrafo para mim – está guardado na minha agenda do ano em que ele esteve aqui!

Destes, obviamente, só vi Túlio Maravilha, responsável pela minha maior alegria – o título brasileiro de 1995 (e por uma história muito surreal... enfim, isso é assunto para depois!). Ouvi muitas histórias sobre Garrincha e Nilton Santos. Garrincha dispensa apresentações. Pena que ele jogou quando não havia toda a tecnologia atual para registrar as entortadas nos Joões. O pouco (diante do que ele fez) que consegui ver não me deixa dúvidas de que ele faz parte daquele panteão de incomparáveis no futebol, acima do bem e do mal. Pena que o Anjo das Pernas Tortas perambulou entre a luz e as sombras, que acabaram causando precocemente a morte dele. E mais pena ainda que ele não tem todas as honras que merece... Já Nilton Santos é o meu xodó. Quando ele fez 80 anos, participou do programa Bem Amigos! do Sportv. Foi de uma gentileza, uma humildade, uma simplicidade que me fez ter orgulho de falar que ele só vestiu duas camisas na vida: a da Seleção (campeão em 58 e em 62) e a do Botafogo. E quando foi relançada a camisa especial em homenagem a ele (cuja parte da arrecadação seria encaminhada para a família cuidar dele, que está internado e precisa de tratamento adequado), tratei de comprar. Eu vestia essa camisa quando visitei o Maracanã!

***

Voltando à história que contava no início. Quem fez a pergunta foi o meu cunhado (que torce para aquele time preto e vermelho) à minha irmã (que entende lhufas com bolotas de futebol). E ela me perguntou, depois, porque a resposta óbvia dela seria o Garrincha.

- É, tem razão. Um nome não tem... – pausa – Anota aí: excluindo o Garrincha, tem o Nilton Santos, o Didi, o Amarildo, o Jairzinho, o Gerson, o Zagallo, que eu me lembro agora e que todos foram campeões mundiais. Alguns até mais de uma vez, como o Nilton Santos e o Didi. O Zagallo é tetracampeão como jogador e técnico. Agora, se a gente for falar só dos que não foram campeões mundiais, posso dizer Heleno de Freitas, Manga, Josimar, Alemão, Túlio Maravilha. E na Copa de 2010, o Loco Abreu e a cavadinha. Disso ele deve lembrar, né? Afinal de contas, o único jogador do time dele que foi à copa voltou na barca despachada pela Holanda, né? E os ex-jogadores do time dele ainda ajudaram Sneijder & cia... E se mesmo assim ele encher a paciência pergunta pra ele quantas Copas do Mundo o Zico ganhou. Que eu me lembre... uma acabou no Sarriá e na outra ele perdeu um pênalti diante dos amigos do Platini. Melhor ainda, manda ele vir falar comigo que eu faço um relatório detalhado!

- Falar contigo? É ruim, hein! Ele não é doido de falar isso aqui em casa contigo e com a mãe...

- Ah, é!!! Manhê, sabe o que o seu genrinho falou... - Sim, fui informar à mãe, a responsável pela minha vida alvinegra e, muitas vezes, para choque geral, muito pior que eu.

O assunto não foi comentado aqui em casa até hoje. Ficamos assim, ele com o Zico pra lá e eu com meu olimpo alvinegro para cá... Entre marés boas e ruins, tenho certeza de que saí no lucro.

Bacci!!!

Beta
Reações:

4 comentários :

  1. Olá!!!
    Tá rolando promoção lá no blog dá uma passadinha lá… bjoo
    http://meufantasticomundinholiterario.blogspot.com/

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  2. Uma vez me perguntaram para que time eu torcia e quando falei que era o Botafogo, falaram que eu poderia gostar de futebol, mas não entendia nada de times, fiquei indignada, pois não se pode ter uma opinião própria tem que ser maria vai com outras, torcer paraum time por ele ter uma torcida grande, e não se pode gostar de um time que você tenha se identificado (gosto do Botafogo desde de criança).
    Beijos

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  3. Nossa... isso é que é gostar de futebol \o/

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  4. Roberta,terror de seu cunhado flamenguista. Ou será que é fluminense ? Ora, eu ignoro futebol ! ^~

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