quinta-feira, abril 07, 2011


Vamos ao quase bla bla bla de sempre: quando o livro foi lançado, vi alguma coisa sobre ele. Mas na época estava enrolada com outras leituras (algumas obrigatórias e outras não). Pois bem, graças aos maravilhosos cartões de presente de aniversário (que eu demorei pra trocar), ele veio parar aqui em casa. E aí, (demorei pra ler) e bem...

A Pílula do Amor: um romance sem contraindicações – Drica Pinotti
(2010 – Editora Prumo)
Personagens: Amanda Loeb, sua hipocondria e conhecidos

Amanda tinha certeza de que ia morrer, afinal de contas, era uma pessoa muito doente – no ponto de vista DELA. Porque o resto do mundo ficava meio abismado, estarrecido, chocado com a hipocondria dela, que a levava a fazer as maiores loucuras monetárias e comportamentais, sem contar a inacreditável capacidade de parecer insana aos olhos de sua família e alguns amigos... Nesta vida de médico em médico, doença em doença, trabalhando como advogada para uma ONG Ambiental, perseguida pelo pitbull do vizinho, se metendo em algumas furadas, não é que Amanda – saudável ou à beira da morte - ainda queria encontrar um namorado? E a busca pode se revelar uma jornada bem interessante para que Amanda ache o caminho da cura para tudo – ou quase – na sua vida...

Comentários:

- Momento flashback – conversa entre médico plantonista e paciente, em algum momento do primeiro semestre, 2010:

- O que a está incomodando?
- Estou com uma dor aqui (aponta o lado esquerdo da barriga). Parece que tem alguém me dando agulhadas. Ficou parando e voltando esse tempo todo.
- Que horas começou?
- Pouco antes do fim do expediente. Imagino que tenha sido por volta de 13h. Nunca tive antes. Não pode ser apendicite, porque o apêndice é do outro lado. Também não pode ser estômago, porque é mais embaixo. Eu imagino, doutor, que seja algo nos rins, o que é estranho, porque não há histórico de problema renal na minha família. Sei de amigos que já tiveram pedra nos rins e eles me contaram como é horrível.
- Você teve febre?
- Não.
- Só a dor?
- Sim. Dor chata.
Bateria de exames de sangue e raio X. (Enquanto aguardava o retorno ao consultório, abriu os envelopes e avaliou. Viu que não havia nada de mais, exceto pelo número de leucócitos muito altos – e lamentou ter esquecido qual era a função deles decorada para as provas de Biologia *A única coisa que lembrava é de que a mitocôndria é responsável pela respiração celular e sabe-se Deus qual utilidade isso terá para a sua vida: por que há de ter alguma, né?* - e desistiu de entender o raio X porque não conseguia achar nenhum órgão ali. E sem ajuda: os parentes que a acompanhavam perguntaram porque tinha engolido um morcego...) Por isso, o veredito precisou, obviamente, da análise do plantonista:
- Não há nada visível nos seus rins, mas pela descrição de sintomas deve ser uma pedra minúscula. Vou receitar um remédio. Pode ser o Buscopan composto.
- Não.
- O quê?
- Não posso tomar buscopan porque tem dipirona. Eu não posso tomar dipirona porque tenho pressão baixa. Descobri isso desmaiando em um jogo de futebol e terminando com cinco pontos na cabeça.
- Ah, então, vou te receitar outra coisa.
- Obrigada.
(Dia seguinte, consultório do médico de confiança)
Após contar a mesma história e comentar que o remédio receitado tinha amenizado as dores-agulhadas, entregar o exame de sangue para análise e ouvir o simples veredito:
- Não é pedra. É infecção. Bastava ver o número de leucócitos, muito alto, significa que eles estão combatendo alguma coisa errada no seu corpo. Mantenha o antibiótico e tome muita água. Refrigerante não conta. Tem que ser água ou suco.

Fim do flashback. Isso aconteceu comigo neste ano. E não, não engoli nenhum morcego. Eu e minha família não temos habilidade de leitura de raio-X ou ultrassons.

- Será que deu pra entender porque um livro sobre uma advogada nova-iorquina, que só consegue se relacionar com o mundo através da sua hipocondria, de tal forma que é o filtro pelo qual passa sua vida. A certeza de que o mundo está errado e ela certa. A falta de paciência dos parentes com os ataques infundados de doenças mortais. A inacreditável capacidade de transformar qualquer pequena ocorrência em algo fatal. A vontade de arrumar um namorado médico, porque só um legítimo profissional da saúde poderia entendê-la. Por isso, um ataque de um cachorro pitbull poderia ter mudado sua vida, se ela realmente tivesse antenada no mundo, não em vê-lo através das doenças que pesquisava na internet ou nos livros. Mas Amanda é boa pessoa, se preocupa com a amiga Lauren, foi um conforto (à maneira dela) para Elizabeth durante um momento delicado. No fim, tudo se resumiria a como encontrar maneiras para lidar com o mundo – não me atrevo a criticar Amanda, porque isso depende de cada pessoa...

- E sobre Brian, o vizinho bonitão dono do pitbull, confesso que gostei muito dele. E me fez perguntar por que, nestes livros, quanto mais insana é a protagonista, mais legal é o pretendente. Por exemplo, vai dizer que você nunca se perguntou o que um advogado como Mark Darcy viu na Bridget Jones? Ou por que o Luke, homem sério e sensato, se apaixonou pela Becky Bloom? Eu já. Várias vezes. E pela descrição do Brian, ele entra na categoria do “voy a hacerte cosas malas, nene, y te van a gustar...” – um perfil que anda me interessando bastante ultimamente, para estudos identiários sociológicos comportamentais, óbvio ;)

- O site da autora Drica Pinotti parece ser muito legal. Não consegui visitar com calma, porque meu computador estava numa onda de pirraça antipática.

Bacci!!!

Beta

Ps.: 1:  Não havia me mancado que programei esta resenha para o Dia da Saúde e o Dia do Jornalista, ambos comemorados hoje XD

Ps.2: AH! Se serve como dica, não leia este livro comendo ou bebendo nada, ou provavelmente você, hipocondríaca ou não, podem precisar procurar o médico.

Ps. 3: Eu fui atacada por um cachorro pastor alemão quando tinha 4 anos de idade. Por isso, a cena do ataque não foi tão divertida para mim quanto é para uma pessoa normal.
Reações:

6 comentários :

  1. Oh, perguntar se você tinha engolido um morcego foi horrível e inédito, tadinha ! ^^

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  2. Gosto dessas protagonistas sem noção, eu sou meio assim XD
    Tô adorando Abril Imperdível, muito bom mesmo!

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  3. Pareceu bem interessante. Vai entrar prá lista.

    FELIZ DIA DO JORNALISTA!!!!!!!!

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  4. Eu ia ler alguma coisa dessa autora, mas depois que vi algumas coisas no Twitter dela com algumas amigas, desisti. Sinceramente, existe bullyng virtual? Pois é. Bjs.

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  5. OMG! Quanta informação... Vamos por parte.

    Livro interessante, pelo que entendi a leitura não é tão leve. Posso intercalar com um Baby on Board :P

    Beta, concordo com a sua constatação! Quando mais louca a mocinha, o mocinho se torna mais centrado. E acho que deve funcionar assim, dois loucos ou dois sérios não ía rolar bem kkkkkkkkkkkkkk' É sempre bom balancear!

    Feliz Dia do Jornalista (atrasado :$) E eu entendo bem a cena de pânico ao ser atacada por um cão, me ocorreu aos 3 anos >.<
    Ahhhh também não posso tomar dipirona, sou alérgica :|


    :*

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  6. Concordo com a Carla, eu estava curiosa com esse livro de tanto que falavam dele, estava quase comprando... aí rolou o bullying que ela fez com uma leitora, achei de um mal gosto tremendo, então desisti. Mas gostei da sua resenha. :)) Beijos. :*

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