sábado, janeiro 22, 2011


Este é o primeiro livro que leio de Marian Keyes – não perguntem o motivo, não consigo imaginar uma explicação nem anormal nem razoável. A realidade é que nunca aconteceu. Até que ganhei o Casório?! de aniversário, ele ser ignorado no armário e se tornar medalha de prata na votação “Ajuda para sair do armário”!

Casório?! – Marian Keyes – Bertrand Brasil
(Lucy Sullivan is getting married – 1997)
Personagem: Lucy Sullivan e parentes, amigos, conhecidos e bla bla bla

Lucy e as amigas do trabalho foram a uma cartomante que garantiu que, em 18 meses, Lucy iria se casar. Não seria tão surpreendente se a vida amorosa de Lucy fosse um sucesso – mas não é. Ela tem dedo para escolher os piores companheiros possíveis. Enquanto isso, o caos de sempre, em casa, no trabalho e na família... Mas as previsões feitas pela cartomante para as amigas começaram a se realizar, elas e Lucy começaram a crer que a dela também se tornaria realidade. Mas com quem?

Comentários:

- Não é à toa que sempre me diziam que Marian Keyes é chicklit puro: protagonista inglesa, na casa dos vinte e muitos (e às vezes trinta e poucos), cercada de pessoas exóticas (sempre tem alguém com características muito extremas por perto: seja riqueza, beleza, burrice, loucura) e sempre em crise por algum motivo (dinheiro, insatisfação no trabalho, vida amorosa de mal a pior ou todas as alternativas anteriores). É assim com a biruta da Bridget, a insana da Libby, a Tasha confusa e outras meninas...

- O livro acompanha a jornada de Lucy, filha de irlandeses, uma garota normal, comum, com oito milhões de sardas, um emprego chato de secretária, colegas doidas de trabalho (não se iluda com a, aparentemente, única normal), uma família com problemas (ela defendia o pai, vítima constante dos maus tratos da mãe), duas colegas de apartamento diferentes como a água e o vinho (a burra Charlotte e a competitiva Karen), o amigo de todas as horas Daniel.

- A estressante (aventura) da visita à taróloga revela as previsões de sempre: dinheiro, mudança, viagem, cuidado com a inveja alheia e casamento. Só que Lucy, a que se casaria, está solteira após terminar mais um relacionamento com um cara que não quer nada da vida. As previsões começam a se realizar, apesar de em alguns casos isso ter acontecido de forma imprevista por elas. E daí pra conclusão “lógica”: Lucy vai se casar. Mas com quem?

- E os desdobramentos rendem boa parte do livro: desde o comentário feito pelas amigas de trabalho à maior fofoqueira da empresa (o que comprova que FOFOCA se espalha mais rápido do que fogo em pradaria seca ou Roberta com dinheiro disponível para gastar em livraria), até o provável candidato (que não sabe disso, óbvio) que ela considera: Gus, irlandês sem eira nem beira, de espírito livre e uma vontade incontrolável de encostar nela para beber, cair e levantar de graça. A competição (que só ela não leva a sério) com Karen para atrair a atenção de Daniel. As rivalidades no trabalho e o grupo unido contra o chefe “babaca” (definição deles, óbvio). Os rompimentos e os reencontros,as dores, as depressões pós-namoro, o doloroso ato de encarar a realidade (coisa difícil para quem sempre tapou o sol com a peneira. No entanto, uma hora isso acaba acontecendo e, quanto mais se tenta ignorar, pior fica) e de superar certos comportamentos padrão de (falsa) segurança, como por exemplo, ter medo de personalidades aparentemente mais fortes e com sérias tendência a serem mandonas e abusivas (quem lê vai entender de quem estou falando no livro). E pelo menos na ficção é reconfortante verem que pessoas mandonas, falsas, invejosas tendem a se dar mal. Na vida real, às vezes, isso não acontece.

- Um dos meus momentos favoritos é quando, em depressão pós-namoro, Lucy filosofa sobre o comentário cinematográfico de Karen, Charlotte e ela própria. Karen preferia filmes de terror sanguinolentos, onde uma mulher matava tudo que via pela frente. Charlotte tirava o Noviça Rebelde do baú e via até perder as contas. E Lucy conseguia a façanha de se emocionar com uma linha do diálogo de Exterminador do Futuro. Bem, não preciso estar em depressão pós-namoro, basta estar em mode antissocial on (nas variações maximum e turbo) para mudar os filmes: há vezes em que prefiro assistir a O Senhor dos Anéis: As Duas Torres (além da grande batalha, tem uma cena muito rápida, no início, quando Aragorn pensa que os hobbits Merry e Pipin estão mortos, chuta longea cabeça de um orc morto e dá um grito de raiva. Sim, meu eu escorpiano dá cambalhotas de inveja) e, ultimamente, o favorito tem sido o inigualável 300 (claro que a cena da construção do muro é muito simbólica). Isso porque eu detesto filmes de terror, não gosto de O Exterminador do Futuro e mesmo amando Noviça Rebelde (tenho o DVD duplo e a trilha sonora), confesso que não é o mais indicado para meus rompantes de raiva (minha irmã disse que sonha com o dia que o Rambo surja disparando a metralhadora quando a noviça Maria surge correndo no alto da montanha em Salzburgo cantando The Sound of Music. Como vêem, deve ter algo no DNA...)

- E outro comentário: essa história de “que o amor pode estar perto, bem ao seu lado” me dá medo. Ao lado da minha casa, há uma garagem. Nos fundos dela, uma mangueira (a árvore), point de todas as maritacas e bem-te-vis do bairro (creiam, eles são lindos, porém, não todos juntos. Duas maritacas equivalem a um Maracanã lotado. Várias podem ser algo muito estressante. Ainda mais de manhã). Completando o quadro, um matagal tão alto de fazer qualquer ativista da natureza chorar de emoção pela preservação da Mata Atlântica e os neuróticos de plantão imaginar Aedes Aegyptis agradecendo a acolhida entusiasmada. Por sorte, este não era o caso de Lucy, mas foi igualmente difícil para ela.

- Portanto, se você quiser saber se Lucy Sullivan vai se casar (como é o titulo original), só encarando a leitura de mais de 600 páginas. Pode demorar (não sei como é o seu ritmo de leitura), mas vai valer a pena.

- E vale visitar o site oficial da Marian Keyes.

Bacci!!!

Beta
Reações:

8 comentários :

  1. Eu já li. Consegui fechasr o livro em quatro dias porque NÃO CONSEGUIA PARAR DE LER. Eu não entendi bem o seu ponto de vista sobre o livro, mas com certeza é um dos meus favoritos. Indico à todos.
    Beijos.

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  2. Estou apaixonada por sua resenha.

    Vou comprar! fato.

    Bjsss

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  3. ola...
    muito legal a resenha.
    ja ouvi e li de todo sobre os livros dessa autora.nao é um tipo de leitura q me atrai, mas pelos comentarios da a te vantade de ler. acho q vou começar a ler para tirar minhas conclusoes. hehehe
    nossa, a colega ai disse 4 dias.... credo me sinte lerda... heheheheh, achando q uma semana era rapido... heheheh
    isso ai, adorei.
    bjos

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  4. Oba!!!!! Você fez uma resenha de um dos livros que mais gosto (tenta o Sushi e o Férias! - se bem que esse teria que ler a série das irmãs Walsh pra fazer sentido, mas enfim - depois. São ótimos). Fico muito feliz dele ter sido um dos eleitos.
    Sempre que estou meio assim, acabo relendo o Casório?!.
    Espero que você tenha gostado do livro. :D

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  5. Ciao, Beta!

    Interessante, nunca me entusiasmei com os livros dessa autora. Na hora de escolher o que levar, ele sempre sobra. Sei lá, acho que não levei muita fé por causa do Melancia. Que raio de nome prá livro... Não me atraiu em nada...

    Mas, depois dessa sua resenha, revi os meus conceitos e resolvi dar uma chance à pobre Marian, até porque fiquei curiosa para saber se ela vai casar ou não.

    Beijos!

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  6. Adorei a resenha Beta, ficou super estimulante, até deu vontade de comprar! kkk.
    Mas tenho medo, são tantos livros que essa autora tem, que é capaz de eu decretar falência logo! kkkkkk.
    Pois quando gosto de uma autora, quero ter todos os livros dela! Coisa de gente doida mesmo!

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  7. Oiii Beta!!!! Simplesmente ADORO literatura "mulherzinha"!!!! Depois de casório já lesse mais algum??? Todos são maravilhosos!!! Tenho um blog também e hoje nele escrevi sobre Um Best Seller pra Chamar de Meu e meu primeiro post do blog foi sobre a Marian Keyes. Vai lá conhecer!!!
    www.lereamar.blogspot.com

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  8. Realmente os livros da Keyes são um máximo (no meu ponto de vista).Comecei a gostar do gênero Chick Lit (que só descobri que era esse o nome do gênero lendo O Diário de Bridget Jones por Helen Fielding que tbm é ótimo) lendo o primeiro livro dela Melancia.Férias! e Sushi tbm são mto bons.E é incrível pq numa base de quatro a seis dias consigo terminá-los,acho com certeza uma leitura agradável.Vou procurar ler os demais livros da autora se possível.

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