sábado, setembro 26, 2009

É um fato comum: Dona Diana está com problemas para escrever a sua saga favorita. Os defeitos que a gente via em trechos de alguns livros se tornaram constantes. Confesso que faço parte do grupo que ainda está em dúvida se ela enlouqueceu, surtou, caducou ou simplesmente perdeu a mão. De qualquer forma, é uma pena porque o universo dos Mercenários/Homens do Texas (ou "Tudo acaba em Jacobsville") oferece tantos personagens legais e promessa de boas histórias que é irritante vê-los desperdiçados.

Estas reclamações servem para reforçar como este livro é uma exceção e remete aos melhores momentos de dona Diana. Por isso, conseguiu sobreviver ao padrão de exigência dos leitores e leitores desta saga (o que eu ouvi de elogio e pedido por este livro... só demorei para achar e ler, mas finalmente, chegou ao LdM).

Doce Desejo - Diana Palmer - Rainhas do Romance 23
(Carrera's bride - 2004 - Silhouette Special Edition)
personagens: Delia Mason e Marcus Carrera

Delia estava curtindo as férias nas Bahamas com a irmã e o cunhado, uma oportunidade única para quem sempre levou uma vida reclusa, vigiada, restrita e segura em Jacosville, além de ajudar a superar a recente morte da mãe. Só não contava em ser agarrada pelo acompanhante do jantar e ser salva por um homem tão enigmático quanto atraente. E contra qualquer expectativa, não é que eles tinham muito em comum, apesar da diferença de idade e origem. Marcus sabia que não era hora de começar algo que ele não poderia terminar e precisava cumprir sua missão antes de ser livre para seguir em frente com a sua vida. No entanto, a determinação de resistir à inocente tentação que era Delia enfraquecia a cada instante que eles compartilhavam - e isso poderia colocá-la em risco mortal.

Comentários:

- A gata borralheira entrou no baile do castelo do príncipe e se meteu numa confusão que a mudaria para sempre. É um bom resumo para este livro. Delia sofreu a vida inteira com as críticas e comentários depreciativos da mãe, para quem, a irmã mais velha era o modelo. A viagem era um recomeço, onde ela poderia viver tudo que tinha lhe sido negado até então. Já Marcus quer justiça para o assassinato do irmão e trabalhou para consegui-la pelos meios corretos, mesmo que fosse necessário ser a isca de uma armadilha.

- Você não imagina um ex-mafioso que faça colchas premiadas em concursos. É a pista de um antiherói diferente. Um homem que teve que endurecer ainda menino pelo bem dele e da família, que esteve do lado errado da vida até se regenerar. E que mesmo durante a busca por vingança/justiça (depende do lado que você avalia), ele tem algo sensível nele - e não é qualquer um que seja capaz de fazer colchas, ainda mais as da tradição americana (quem viu o filme Colcha de Retalhos sabe bem do que estou falando). Bem que eu queria comprar uma colcha pra mim, mas daquelas de retalhos (a que a minha avó fez quando eu era pequena não sobreviveu...) E não conte comigo se você quiser alguma. Até tentaram me ensinar a bordar, mas não é minha praia. Falta paciência e, acima de tudo, talento.

- E como o que é proibido é o que atrai, óbvio que Marcus e Delia se aproximam cada vez mais, mesmo sabendo que era uma baita imprudência por inúmeros motivos (ele envolvido na missão de vingança/justiça; ela, uma inocente que nada havia vivenciado do mundo), que ambos tinham muito a perder, mas você percebe que eles foram feitos um para o outro (ele precisa da inocência dela e ela precisa da fortaleza dele para encontrar a própria força) e que eles cederão logo à tentação.

- E quando você acha que tudo vai ser lindo e cor de rosa, apesar do perigo rondando, a ficha cai: é Diana Palmer, gente! Ninguém é tão feliz no início do livro sem pagar algum pato bravo logo, logo. Não dá outra: Delia se arrisca, salva a vida dele, mas sofre uma dupla perda: ele não se lembra dela, por isso, acaba maltratando-a com sua sinceridade (poderia ter apenas pensado sem falar, né?) e não está perto quando ela precisa de consolo. A concorrência da socialite cruel também é estressante (o que reforça o complexo de patinho feio sem dramalhão mexicano de Delia - a resposta atravessada que ela dá à Roxanne no banheiro prova isso). E quando as coisas começam a dar errado, a tendência é piorar: um segredo do passado vem à tona e Délia fica sem chão e sem rumo. Diante de tantas decepções, só resta a ela retornar a Jacobsville para se reconstruir e recomeçar.

- E mesmo com a memória afetada, Marcus resolve sua missão (o que só comprova que ele é realmente o cara!), com umas dicas do simpático e pau-pra-toda-obra Smith, as lembranças voltam aos poucos e ele entende o que aconteceu com ele e, principalmente, com Delia! Arrependido (porque sabe que a sua sinceridade acabou sendo bastante cruel com ela), percebe que deve trabalhar para reconquistá-la, porque a ama de verdade. E elabora um plano que só pode dar certo: além da delicadeza com que ele demonstra estar realmente sofrendo por, mesmo sem querer, tê-la feito sofrer (a Diana podia ter evitado aquela lenga-lenga que ele fala que "mesmo sem memória, a crueldade dele foi uma forma de protegê-la do perigo que o cercava" Se tivesse ficado quieto, teria feito muito melhor que falar essa bobagem.) e ainda conta com a experiência, presteza, gentileza e apoio dos habitantes locais, que sabem organizar casórios alheios com alto nível de qualidade XD

- Um antiherói que erra, mas se arrepende e demonstra isso. Uma heroína patinho feio que não tem vocação para o martírio e o "vou chorar ali no canto e aceitar que tenho que sofrer, sofrer, sofrer, porque logo logo ele vai entender que me ama, não vai me dizer, eu vou perdoar e aí tudo será booooooom" e sabe lutar pelo que quer e expressar suas opiniões e seus sentimentos sem parecer uma parva irritante. Aí fica a pergunta que não quer calar: se dona Diana é capaz de escrever histórias como essa, que remetem aos bons tempos, POR QUE nos impinge os "avassaladores" da vida, Dio Santo!

Acho que era isso, tentei fazer a resenha sem contar muito da história (o que é um convite para que vocês leiam o livro!!!). E se faltava algum incentivo, deixei esse para o final - siiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiim, tem participação dele, o espetacular (nos livros alheios) Cash Grier, o delegado favorito da maioria das futuras habitantes de Jacobsville!
E como sempre, nada muda na nossa cidade texana favorita: as pessoas continuam vigiando as vidas alheias, organizando casamentos em tempo recordes...
Quer saber, corre lá, leia e depois volte aqui pra dizer o que achou!!!

Bacci!!!
Reações:

7 comentários :

  1. Anônimo2:20 PM

    Oi, Beta. Tudo bom?
    Eu desisti de tentar entender o que acontece com a dona Palmeirão... eu reparo que ultimamente nos livros dela há um acontecimento constante: quando a DP escreve as estórias dos protagonistas dos quais a gente tanto gosta, ela perde completamente a mão, e o livro é uma droga. O exemplo maior disso é a estória do Rodrigo Ramirez ("Fearless"), que para mim já entrou para os anais como um dos piores mocinhos da DP. Claro que há exceções, como a estória do Colby Lane, que é muito bonita ("Outsider"). Mas lendo as últimas estórias lançadas pela Diana Palmer, dá para contar nos dedos as que se salvam. E "Doce Desejo" é uma delas.

    Adoro o seu blog!!
    Bjs
    Cristina

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  2. Renan2:31 PM

    Beta, gostei da crônica sobre Marcus. Mas agora é hora de "Processando 'Aprendendo a amar'". Um abraço!

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  3. DEIXEI SELINHO PRA VC NO MEU BLOG!
    BEIJO

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  4. Beta! Adorei, adorei, adorei!

    Faço parte da turma do "o que está acontecendo com você, Diana Palmer?". Fico com medo quando ela anuncia que vai escrever os livros de personagens - como Smith, Bojo, Harley Fowler -, pois ela dá um jeito de destruir os rapazes e deixar as leitoras com cara de babacas. Que diga o "Fearless" - juro que nunca passei tanta raiva com um mocinho da Diana. Acho que depois de ler esse, você vai fazer uma peregrinação rumo a Jacobsville para pedir Matt Caldwell em casamento com uma promessa de 'cama, mesa e banho' eternos.

    Tá, pode ter sido exagero.
    Ou não.

    Ainda bem que Diana Palmer escreveu "Outsider" (confesso que achei Colby um idiota, mas as atitudes imbecis dele aconteceram anos antes de o livro tomar lugar) e "Doce Desejo".

    "E se faltava algum incentivo, deixei esse para o final - siiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiim, tem participação dele, o espetacular (nos livros alheios) Cash Grier"
    EU SABIA! lol

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  5. Há, acho que vou gostar desse Doce Desejo...
    Como eu sempre digo, livro da Diana Palmer é um a cada 6 meses e olhe lá! Lendo muitos na sequência é capaz da gente acabar jogando tudo pela janela.

    Bjs.

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  6. Não lí muitos livros da Diana Palmer, procuro sempre aquela mesma história do mocinho turrão mais velho que foge (enquanto pode) da mocinha boazinha pq a viu desde criança.(ADORO! quanto mais teimoso melhor...rs...)
    Agora, depois destes comentários vou correndo me apresentar pro delegado e pra esse mocinho aí.
    bjão

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  7. Opa, esse eu li! hahaha
    Eu ando topando com tanto ogro-extremo da DP que quando eu topei com esse eu quase caí da cadeira. Um DP não totalmente ogro? Oia a neve em Belém, genteee!!
    hauhuaahuha
    Milagres dos milagres! E aquele final? Lindooo! Acho que esse aí começa a redimir (bem no início mesmo, mesmo) o que ela fez em Amélia!

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