quarta-feira, junho 26, 2019

Ciao!


  
- Já falei um pouco sobre Gatunas em um #VemAí. Terminei de ler e o que posso dizer é que esse livro tem asinhas nas páginas. Asinhas com motor de carro de F1 e movido a energético. Só pode.
Entre a primeira e a última página, foram 1h30 de leitura. Sério! Há um tempo não lia um livro assim, a jato!

Gatunas: amizade não tem preço. O resto a gente pode roubar – Kirsten Smith – Astral Cultural
(Trinkets – 2013)
Personanges: Elodie Davis, Moe Truax e Tabitha Foster

Elodie, a invisível; Moe, a rebelde; Tabitha, a popular. Três adolescentes de origens e comportamentos bem distintos que estudam na mesma escola. No entanto, não é isso que as une. Elas só vão se conhecer quando se encontrarem no último lugar onde uma imaginaria ver a outra: nas sessões dos “Ladrões de Lojas Anônimos” (LLA), um grupo de apoio para cleptomaníacos.

Comentários:  

Isso meio que me resume:
Estou aqui e ali, mas não em lugar algum de verdade 
- Uma autora que te entrega uma história sem enrolar. AMÉM! Imagino que a experiência como roteirista de filmes (entre eles o meu xodó 10 Coisas que eu odeio em você – com quem Gatunas compartilha a citação a William Shakespeare) faz Kirsten Smith não perder tempo com coisas que não levam ninguém a lugar nenhum por, sei lá, 300 páginas? Ela sabe o que quer contar, desenvolve os personagens dentro de suas características próprias – revertendo os rótulos com os quais as garotas eram vistas (e até reforçavam no ambiente escolar e familiar) – e pé na tábua: se você embarcar na jornada das garotas, não vai perceber o tempo passar. Foi o meu caso.

- Ela parte das diferenças entre Elodie, Tabitha e Moe para uni-las em um ponto incomum: precisaram de ir até um grupo de apoio a cleptomaníacos porque foram flagradas furtando objetos de lojas. As adolescentes que nunca se aproximaram nos corredores do colégio se viram unidas pelo segredo do crime que se sentiam compelidas a cometer. 

- Os motivos para roubarmos lojas são variados, mas estão unidos pela euforia de conseguir alguma coisa de graça, a mesma euforia que um viciado sente quando consegue uma dose de uma droga (...) Para alguns de nós, o roubo de lojas é motivado pela perda. Perder uma pessoa, um emprego ou uma renda. Há um buraco lá dentro, e o roubo a preenche. Para outros, o roubo é um ato de rebeldia contra um mundo que não podemos controlar.  
- E por quê? Como diz esse trecho aí em cima, elas estão tentando preencher uma sensação de vazio que possuem – e por motivos variados. Alguns descontam na comida, outros na vaidade excessiva, eu lia sem parar, até perceber que não adiantaria nada. Precisaria encarar e resolver o que era o problema para me libertar dele. O LLA funciona como este freio. Apesar de que, a princípio, elas se rebelam. Não queriam perder a emoção que o furto desencadeava – dando a ela a sensação de que comandavam o mundo e outras pessoas. Mesmo sabendo que era errado. 

(...) a solidão de uma vitória pode te acontecer
e talvez a única coisa 
que a torna válida
é ter alguém com quem compartilhar (...)
- O caminho para elas encontrarem sentido em um mundo imperfeito sem se sentirem esmagadas por ele passa pelas consequências da improvável amizade que surge entre as três. Não será impecável. Haverá crises, surpresas e problemas. No entanto, ao perceberem que não estavam sozinhas, foram se tornando capazes de enfrentar o que as faziam sofrer. Não significa cura. Mas o início do processo para se sentir bem consigo mesmas e não depender mais da sensação que os furtos traziam.

- Esta é a lição que ajuda Elodie, Tabitha e Moe e fez a diferença nas horas ruins da minha vida: não estamos só. Há pessoas que nos entendem e dão aquela força até a gente ficar firme novamente. Aceite a mão estendida, fique bem e aprenda a também estender a sua a quem precisa.

Ah, a série inspirada no livro estreou na Netflix. Confiram o trailer:

Então boa leitura e depois, boa maratona!


Bacci!!!

Beta

Reações:

Um comentário :

  1. Muito obrigada pela resenha, acabei de maratonar a série e adorei.
    Fui pesquisar mais e tive a grata surpresa de saber que tem o livro.

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