quarta-feira, março 20, 2019

Ciao!



“Roberta, você vai ter que ler este livro. Eu achei que estava entendendo, mas teve um trem aqui e não estou entendendo mais nada!” 
Após este ultimato de #MadreHooligan, tive que ler o livro que ela deveria ter comentado comigo pra escrever aqui. Ok, vamos nós!

No meu sonho te amei – Abbi Glines – Arqueiro
(As she fades - 2018)
Personagem: Vale McKinley

Uma vida inteira de planos interrompidos prestes a começar. Vale e Crawford eram namorados desde a infância e celebravam o fim do ensino médio, quando sofreram um acidente de carro. Um mês em coma e muitos planos podem ser colocados em xeque. Ainda mais se Slate Allen entra no caminho oferecendo possivelmente mais que amizade.

Comentários:

- Boa parte do livro se passa em um hospital – ou naquela espécie de limbo em que entramos ao rezar por uma recuperação, seja a nossa ou a de alguém que amamos. Especialmente nos casos onde há indefinição: como no coma ou no diagnóstico de que não há nada mais a ser feito.

- Vale entrou neste caminho aguardando que Crawford abrisse os olhos. Passou as férias lendo para ele ou do lado de fora do quarto esperando – exceto à noite, só porque o hospital não deixou. Ela se recusava a seguir em frente sem o namorado, mesmo com o incentivo da sogra e da família dela, que achava que ela precisava respirar outros ares para enfrentar a situação da melhor forma possível.

- As coisas começam a muda quando Slate Allen, universitário veterano amigo de um dos irmãos dela, começa a se aproximar. A princípio, parece que ele só quer acrescentá-la à longa lista de conquistas. Mas têm algo em comum: o rapaz também está na vigília no hospital por causa de um parente, no caso, o tio.

- A partir da aproximação com Slate e das circunstâncias gritantes de que a vida precisa seguir – ela está matriculada em uma universidade, não pode se dar ao luxo de perder a vaga. E sem ter Crawford por perto, Vale é forçada a recuperar a si mesma, que vai além de ser metade do casal formado na infância, que planejou o roteiro do “felizes para sempre” que foi rompido pela vida. 
“No entanto, como em todos os sonhos bons... cedo ou tarde a gente precisa acordar” 
- De certa forma, o livro acompanha Vale acordando para a vida possível, a que competia ao que ela queria, não ao que esperavam da namorada de infância que se via como protagonista de uma história romântica perfeitinha idealizada. O acidente se torna um catalisador para que a Vale aprendesse a lidar com as consequências do que houve e de quem se tornaria a partir daquilo.

- A confusão de #MadreHooligan faz todo sentido por causa da forma que Abbi Glines escolheu para contar a história: ela nos conduz habilmente por um caminho para, então, dar uma reviravolta, que nos leva a observar a mesma história por outros pontos de vista. Talvez tenha faltado um parágrafo que deixasse claro o que eu entendi nas entrelinhas (e que frustrou #MadreHooligan).

- Não é uma história de amor convencional e nem foca tanto no triângulo amoroso que a sinopse insinua. Repito: é a jornada de Vale em busca de si mesma, não de quem a própria e/ou os outros pensavam que ela fosse. É como se ela tivesse despertando para a vida e descoberto que havia muito mais do que pensou haver antes. 
Para todas as meninas que levaram uma rasteira da vida e encontraram força para se levantar. 
Gostando ou não do livro ou do estilo, posso garantir que a Abbi Glines não escreveu essa dedicatória à toa.


Bacci!!!

Beta
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