quarta-feira, dezembro 14, 2016

Ciao!!!





Todo mundo já ouviu, pelo menos uma vez, alguém dizer que a vida é simples e a gente é que complica tudo. Esta seria uma boa forma de resumir a jornada de Alex em busca de si mesmo, passando pela compreensão dos verdadeiros laços com o filho e com as pessoas que ama.

O menino feito de blocos – Keith Stuart – Record
(A boy made of blocks – 2016 - Sphere)
Personagens: Alex e o filho, Sam

A vida de Alex está toda fora do prumo e atingiu o limite. A esposa o colocou para fora de casa, como uma última tentativa de salvar o casamento. Ele perdeu o emprego que tolerava pelo bem da estabilidade da família. E não tem a menor noção de como se conectar com o filho de 8 anos, Alex, que foi diagnosticado com autismo. Pressionado, estressado, confuso, ele encontrará nas aventuras propostas pelo Minecraft
um caminho para se redescobrir e se perdoar, para enfim viver em paz.

Comentários:

- É um livro sobre tanta coisa, mas tanta coisa, que espero poder me lembrar de todas. Fala sobre a jornada de um pai para encontrar uma conexão com o filho. Fala sobre a sensação de fracasso que assombra um homem ao perceber que estava sob risco de perder a família e que não tinha mais um emprego. Fala sobre como a gente nunca pode fugir de um trauma, porque ele se torna uma assombração capaz de minar aos poucos o que há de bom na nossa vida. Fala sobre angústia, medo, pânico. Fala sobre amizade e amor. Fala que cada um pode encontrar a própria receita de felicidade, sem depender do estereótipo do “comercial de margarina”.

- Quando recebi o livro pensei que seria triste. Sim, tem tristeza, porque, como bem explicou a animação Divertida Mente, ela é necessária para nosso crescimento pessoal e emocional. No entanto, vemos Alex se afundando na própria confusão íntima, percebemos que há uma esperança de redenção. Não é um livro para baixo. É um livro que conversa contigo sempre dizendo que as coisas podem melhorar se a gente se dispuser a lutar por isso.

- Alex estava perdido e sufocado na própria dor, na própria angústia de não ser suficiente, de não ser necessário, de fazer as coisas erradas, de querer acertar, mas só errar. Tudo começou com um trauma na infância, que afetou toda a família dele, uma bola de neve que virou avalanche por ter sido, de certa forma, ignorada. Ao tentar evitar a dor que sentiu antes, ele acaba por se afastar e se privar de muitas experiências. E isso coloca em risco o casamento e a relação com o filho.

- Sam é um ponto fundamental na trama. O pai não compreende plenamente o fato do filho ter autismo e não ser uma criança como as outras. Não sabe o que fazer, como agir, passa o tempo inteiro com medo de ele ter uma crise e não saber lidar. Aí surge um canal inesperado – Minecraft. (Não entendo nada de videogame e o livro me ajudou a entender a dinâmica do jogo. Fui aquela criança da década de 1980 que não teve um Atari, que jogava quando os primos estavam na cidade e sempre perdia porque possui uma coordenação motora de uma bola doida de pinball. Sou a pessoa que jogava com o Luigi, libertava o Yoshi ingrato que fugia e me deixava estabacando sozinha) No universo do Minecraft, Sam e Papai podem construir uma realidade controlada, assumir os riscos e medo apenas se quiserem. Ao compartilhar este universo, pai e filho rompem algumas barreiras, passam a se comunicar melhor e Alex consegue finalmente enxergar Sam além do rótulo dado pelo autismo. 
E experimento um instante peculiar e chocante de clareza: Sam é um ser humano separado de mim, separado até da Jody. Não é um problema a ser resolvido, um compromisso na minha agenda, outro elemento preocupante da minha lista diária de afazres. Ele é uma pessoa, e em algum lugar em sua mente estão suas próprias ideias, suas prioridades, suas ambições para o futuro. É impressionante notar como foi fácil ignorar tudo isso, no meio de tudo que estava acontecendo, em meio à luta com o autismo, as batalhas diárias com escolas, comida e roupas. Ele é uma pessoa – ele quer coisas, quer entender seu lugar no mundo. E meu dever é ajudá-lo”. 
- É lindo e emocionante. Keith Stuart tem uma sensibilidade inacreditável para narrar a jornada de Alex. Ele tem um menino que também foi diagnosticado como estando no espectro do autismo, então, compartilha os melhores e piores momentos que os pais passam ao saber, como lidar e o que podem enfrentar ao saber que o filho enxerga o mundo de uma maneira diferente e própria. Isso dá alma ao livro. Porque em nenhum momento você tem a sensação de que “ah, o autor fez isso pra apelar! Isso é fake”. As dores e as alegrias vivenciadas pelos personagens – incluindo as relacionadas ao autismo – soam como mais que verdadeiras, causam identificação em quem lê. Que pai ou mãe não teme pelo futuro do filho? Que relacionamento não entra em crise – por amar demais, de menos ou por pressões externas? Quem nunca se viu sufocado na carreira e não invejou a boa sorte dos outros? Quem nunca se afundou na dor própria ao ponto de se esquecer de que todo mundo tem algo bom, memórias boas das quais deve se orgulhar e apegar, para acreditar que tudo irá mudar. 
É por isso que é difícil – porque a vida é extraordinária e cheia de significado, e coisas assim têm um custo. É preciso ser paciente, forte e estar preparado. Por muito tempo nessa aventura eu fui um tolo – eu via Sam como obstáculo, algo do qual eu precisava desviar. Mas eu estava errado”. 
- “A vida é construída sobre as pequenas coisas”, diz a capa (que aliás tem texturas diferenciadas nos blocos onde estão as palavras do título, é uma delícia de passar a mão). Uma singela pista do quão simples e maravilhosa é a história narrada por Keith Stuart. Se tiver chance, leia.


Bacci!!!


Beta
Reações:

14 comentários :

  1. Que resenha mais linda!!! Adorei saber mais sobre esse livro e ver que gostou tanto. A premissa é mega cativante e acho que iria amar a leitura também. Gosto muito do tema abordado, autismo, e quero saber mais sobre essa relação entre pai, filho e Minecraft (também não entendo nada sobre esse jogo).

    Beijos!

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  2. Tem um filme nacional FAN-TAS-TI-CO que me lembrou muito esse livro. Esqueci o nome, porem, ele tem no Netflix e o protagonista é o Wagner Mooura (crush). A resenha está linda, amo livros assim. Tem certos momentos na vida que temos que parar para pensar sobre oque fazemos e tudo mais. Amei, parabéns.

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  3. Poxa, gostei bastante da sua resenha e da premissa do livro. Quando recebemos ele de cortesia da editora, eu não dei nada por ele, mas agora vc abriu minha mente. Legal!

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  4. OOI
    Não sabia sobre o que se tratava o livro até então, mas por sua resenha me interessei.
    Parece ser um livro muito emocionante, dica anotada! :)

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  5. Ah que resenha dez gente, fiquei encantada mesmo porque não sabia muito sobre o que a obra falava e agora quero ler com toda certeza.
    Beijinhos da Morgs!

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  6. Oi!
    Não conhecia esse livro ainda mas já fiquei encantada com a história que parece ser carregada de questões importantes e sentimentalismo. O uso de um jogo como forma de aproximação parece ser uma sacada e tanto da autora e me deixou muito curiosa pra o ler.
    Beijos!
    Por Livros Incríveis

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  7. Oie Beta!
    Eu recebi o livro e está aqui na pilha. Também estava com essa ideia de que seria muito drama demais para o momento, mas gostei do que apontou na resenha. Fiquei mais animada para ler agora.
    Bjks!
    Histórias sem Fim

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  8. Oii!

    Eu não li esse livro ainda, maaas já tenho muita vontade de ler. Já li duas resenhas mega positivas para a obra.
    Realmente, a tristeza é importante para nosso crescimento... Gostei de saber que foi uma leitura boa!

    Beijinhos

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  9. Olá, muito legal como o autor através de um leitura que cita um jogo tão mundialmente conhecido, consegue trazer temas tão importantes. Ver como o garoto consegue ultrapassar suas tristezas e crescer com a certeza do melhor, é encantador. Já anotei aqui a dica, e Beta adoro esta forma sua de resenhar.

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  10. Olá!
    Adorei a sua resenha! Gostei muito de ver que trata de temas essenciais, como a tristeza mesmo que você citou, que tem um papel fundamental na nossa vida. Parece ser realmente um livro muito emocionante e fiquei bem curiosa para poder conferir também.
    Beijos.

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  11. Olá, tudo bem? Que resenha maravilhosa. Já vejo que tenho que ler com um lenço do lado porque choro faz parte. Já ouvi falar muito desse livro e desde isso estou com mega vontade ler mas ainda não tive oportunidade. Ainda espero mudar isso.
    Beijos,
    http://diariasleituras.blogspot.com.br/

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  12. Olá.

    Eu já tinha ouvido falar desse livro, mas não sabia que o menino tinha autismo. Achei bem interessante a premissa da obra e já quero ler. Amei sua resenha e gostei muito dos pontos que vc falou e fico feliz q vc tenha gostado da obra. Ameeei!

    Beijos,
    www.anebee.com.br

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  13. Olá,
    Eu fiquei encantada com a capa desse livro e com o título, mas não cheguei a ver sobre o que fala. Fiquei bastante curiosa e como eu ganhei o livro, pretendo ler em breve.
    Beijos,
    Delírios Literários da Snow

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  14. Um encantamento saber que filho e pai conseguiram comunicar-se, construindo um mundo entre eles, através de algo tão simples quanto um jogo de vídeo-game feito para crianças inicialmente. Mais uma lembrança sobre nunca subestimar todo poder de ludoterapia (terapia através de brinquedo). Autismo é uma situação complicada e será lindo ler como ambos irão encontrar-se e entender-se através de um brinquedo simples.

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