domingo, novembro 20, 2016

Ciao!!!


Eta livro esperado! Olha que fiquei rondando livrarias desde o dia do lançamento – e pra variar, nada de estar aqui tsc... tsc... tsc... – até que achei (depois de brincar de pique-esconde dentro da livraria) no dia do meu aniversário.
Agora que já resumi o drama de sempre, vamos ao que interessa, né?

A menina dos olhos molhados – Marina Carvalho – GloboAlt
(2016)
Personagem: “vida e obra” de Bernardo Venturini

Bernardo era conhecido por ser o melhor jornalista investigativo da Folha de Minas e também por ser o mais intratável e que só sabia trabalhar sozinho. Então o impensável aconteceu: seus chefes decidiram que ele era o mais indicado para ser “babá de estagiária” e ter Rafaela como sombra não foi fácil de engolir. Assombrado (ele jura que não) por traumas passados, Bernardo só quer distância e sossego. Só que enfrentar uma estagiária tão cabeça-dura quanto desastrada seria uma missão que poderia mudar os planos dele.

Comentários:

- Para quem não sabe, A menina dos olhos molhados é o lado de Bernardo sobre o que acontece em Azul da cor do mar, que é narrado por Rafaela. E como Marina Carvalho antecipou na entrevista durante a Bienal de Juiz de Fora, com o bônus da gente saber mais sobre o Bernardo e descobrir o que o tornou o ogro oficial e irritante da redação. Por isso os capítulos possuem dois tempos narrativos: algum período entre os 18 e 22 anos de Bernardo e o momento em que Rafaela é empurrada para dentro da vida profissional dele.

- A vida tinha ensinado a Bernardo que as pessoas não mereciam a confiança dele e que era melhor trabalhar sozinho. Por isso ter que engolir ser babá da estagiária patricinha contratada por indicação de professora que jurava que era a melhor aluna não foi fácil. Ela precisava aprender e ele não estava nada disposto a ensinar. Prepare a pipoca: tudo pronto para o choque de vontades, egos e vaidades entre os dois.

- Pela minha experiência prévia nos diferentes papeis possíveis – estagiária, recém-formada e agora dinossaura no Jornalismo – posso atestar que nesta profissão você tem que estar apto a lidar com todo tipo de gente dentro e fora das redações nas mais diversas situações – desde as mais divertidas e inusitadas, passando pelas sérias e urgentes às mais vulneráveis e desesperadoras. As pessoas só enxergam o suposto glamour do produto final, mas não sabem o quanto de telefone batido na cara, xingamentos, menosprezos e “nãos” ocorrem diariamente. Ah, fora os que – formados pelas redes sociais da vida – sabem fazer muito melhor o que você estudou anos – no meu caso, graduação e Mestrado – para estar apto e com senso crítico para exercer.

- Obviamente não estou defendendo a forma como Bernardo trata Rafaela. Só ressaltando que, além de ser possível (tem gente que, ao contrário dele, faz isso por pura e simples maldade e não apenas com estagiários), às vezes, é muito pior. Creiam, queridos e queridas, você não vai encontrar aplausos por existir neste meio e tem que aprender a criar uma casca dura se quiser sobreviver na missão de fazer a diferença para alguém. Concordei com várias vezes em que Rafaela reagiu diante do comportamento de Bernardo (pra dizer a verdade, só teve UMA coisa que ela fez – citada nos dois livros – com a qual não concordarei nunca na vida. O mundo não aceita mais a visão romântica do jornalismo. Agora, em alguns casos com razão, o profissional virou o vilão da história. Portanto há limites para se colocar em risco por uma matéria, não importa quão boa ela pareça), até mesmo porque quem trabalha comigo sabe que quando baixa o santo escorpiano e a paciência acaba rende momentos divertidos pra quem está fora da linha de tiro.

- Em A menina dos olhos molhados, a gente acompanha como Bernardo escolheu o jornalismo e como a profissão foi se tornando importante para ele. Ao mesmo tempo, entende o que levou a se fechar para as outras pessoas e ter um estilo de vida solitário na profissão. Sim, foi uma daquelas coisas que nem cheguei a pensar entre as possibilidades que conjecturei enquanto lia Azul da Cor do Mar. E por mais que ele jurasse que tinha sido superado, ficou uma assombração não oficial que o levava a se recusar qualquer possibilidade de voltar a dar a mínima brecha ao sofrimento (como se a possibilidade de ter tamanho controle sobre a vida não fosse uma forma de autoilusão) e o leva a um comportamento que supera o meramente desconfiado e varia do grosseiro ao infantil (ah, convenhamos, ele apronta algumas coisas que não deixaram passar totalmente a vontade de dar umas kabongadas nele). No entanto, a gente aprende a lição: nunca saberemos a total extensão da dor que uma pessoa carrega, mas isso não dá o direito de sair por aí magoando os outros. Esta dualidade é o que pauta o relacionamento de Rafaela e Bernardo, que pode separá-los ou uni-los dependendo do quanto querem se comprometer com os riscos.

Adorei a história e não era nem necessário ter escrito isso tudo. Porque a Marina me ganhou na citação que abre o livro. 
Pois o jornalismo é uma paixão insaciável que se pode digerir e torná-lo humano por sua confrontação descarnada com a realidade. Ninguém que não a tenha sofrido pode imaginar esta servidão que se alimenta dos imprevistos da vida. Ninguém que não a tenha vivido pode conceber, sequer, o que é essa palpitação sobrenatural da notícia, o orgasmo das primícias, a demolição moral do fracasso. Ninguém que não tenha nascido para isso e esteja disposto a viver só para isso poderá persistir num ofício tão incompreensível e voraz, cuja obra se acaba depois de cada notícia como se fora para sempre, mas que não permite um instante de paz enquanto não se recomeça com mais ardor do que nunca no minuto seguinte. Gabriel García Márquez. 
Enfim, nenhuma pessoa normal faz jornalismo. Só os insanos. Porque é exatamente isso que ele descreveu e não é qualquer um que segura essa marimba, não! Bernardo e Rafaela que o digam!

Links: Goodreads autora e livroSkoob; mais sobre ela no Literatura de Mulherzinha.

Bacci!!!

Beta
Reações:

29 comentários :

  1. Oi!
    Não conhecia o título e achei sua resenha muito interessante. Talvez eu até procure-o para ler.
    Obrigada pela dica.
    Beijinhox

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    1. De nada, Bhárbara! Obrigada pela visita :)

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  2. Oi
    Adorei conhecer sua opinião sobre o livro, ser jornalista deve ser muito dificil mesmo, ter que ficar cutucando gente enrolada com todo tipo de coisa, isso sem falar que todo mundo quer dar Aquele Furo.
    O livro parece interessante por mostrar os bastidores.

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    1. Oi, Daniele, muito obrigada pela visita :)

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  3. Ola lindona essa capa é linda, gostei da premissa do livro, adoro ver a visão do protagonista, estou bem curiosa com esse livro, li o outro livro da autora e amei sua escrita. beijos

    Joyce
    www.livrosencantos.com

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    1. Oi, Joyce, obrigada pelo elogio e espero que goste do livro!

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  4. OIe Beta!
    Perai que vou ali no cantinho dar um mini surto!
    Sério que se trata da história de Azul da cor do mar?
    Menina, eu não sabia disso! Para você saber o quanto estou desligada kkkk Deixa eu agora comprar esse livro!
    Bjks!
    Histórias sem Fim

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    1. Yep, Carla! É Bernardo contando o lado dele em "Azul da Cor do Mar" e outras coisinhas. Corre e depois me diz o que achou! Bjks!!!

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  5. Olá! Não conhecia o livro, mas fiquei bastante interessada em ler. Gostei de como a trama é tratada e achei legal você ter feito a observação sobre a experiência do Jornalismo com a obra. Ficou muito bom, beijos!

    Entre Livros e Pergaminhos

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    1. Oi, Suzana! Essa vida de jornalista não é fácil, não! Que bom que te deixou interessada :) Muito obrigada pela gentileza e pela visita! Beijos!

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  6. Adorei, eu confesso que esse livro me ganhou primeiramente pela capa, eu fiquei doida para ler por conta dela.
    Está e a primeira resenha que leio do livro e agora fiquei mais curiosa ainda com a leitura, parabéns.

    Beijos

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    1. Karine, a capa é linda e foi escolhida após votação com as leitoras e leitores. Que bom que você ficou interessada! Obrigada pela gentileza e pela visita :)

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  7. Olá. Eu tô super curiosa com esse livro e a única coisa que me segurou para comprar ele foi a questão do fim. Esse livro tem um fim triste? Passa o longe de livros assim. Beijos

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    1. Oi, Cat! Pode ficar tranquila: os finais dele e de "Azul da Cor do Mar" (livro relacionado) estão longe de serem tristes! Também estou correndo de livro "desgracento"! Espero que você tenha oportunidade de ler e goste! Obrigada pela visita :)

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  8. Beta, tudo bem?

    Menina, que resenha mara! A primeira que leio do livro, que confesso, entrou na minha lista de desejados só por conta da capa.
    Não sabia que ela o POV do personagem de outro livro anterior. Caramba, e agora? Preciso ler o azul da cor do mar pra depois ler esse?

    Beijo

    Leitoras Inquietas

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    1. Oi, Krisna! É o POV do Bernardo + algumas coisinhas. Eles funcionam de forma independente. Mas recomendo que leia ambos. Eu li na ordem que foram lançados :) Beijo!

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  9. Oi Beta!
    Vou começar com uma pergunta: é necessário ter lido Azul da Cor do Mar pra ler esse? Eu não li Azul da Cor do Mar mas estou com A Menina dos Olhos Molhados esperando pra ser lido e agora fiquei com receio de ficar perdida na trama.
    Bom, gostei muito da sua resenha, foi a primeira que li sobre o livro e fiquei muito animada com a trama. Achei muito interessante toda essa essa explanação sobre o jornalismo e a sua abordagem sobre na resenha ficou excelente.
    Beijos!
    Por Livros Incríveis

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    1. Oi, Larissa! Os livros funcionam de forma independente. Eu li na ordem que foram lançados. Se você ler o A Menina dos Olhos Molhados não vai ficar perdida. Só recomendo que leia ambos para ter o ponto de vista dos dois personagens.
      Obrigada pela gentileza e pela visita :)

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  10. Olá,
    Desconhecia a obra, mas de cara já anotei a dica por causa dessa linda capa!!
    Lendo sua resenha fiquei intrigada para saber o que levou Bernardo a se fechar tanto e também seu amor pela profissão.
    A premissa é bem interessante e, para mim, um tanto inovadora. Adorei a resenha.

    leitoradescontrolada.blogspot.com.br

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    1. Oi, Michele, realmente eu não esperava a razão por trás do comportamento do Bernardo. Obrigada pela gentileza e pela visita :)

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  11. Olá!

    Esse livro eu não conhecia. Eu tenho vontade de ler o Azul da cor do Mar, só porque a Rafaela é estagiária de jornalismo (eu já fiz o estágio, agora estou me formando, rs). Esse lado do Bernardo é bem interessante.

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  12. Oii, estava querendo ler esse livro, mas acho que vou ler primeiro o Azul da cor do mar. Mas devo dizer que gostei muito da história desse livro e com certeza vou lê-lo.

    beijos

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  13. Olá!
    Caraca, eu não sabia que existia esse livro que era o lado do Bernardo da história.
    Minha experiência com a obra Azul da cor do mar não foi das melhores. Eu gostei da escrita da autora, mas a Rafaela me fez odiar a obra, pois achava ela super chata. Destaquei até que o Bernardo era o que fazia a obra valer a pena.
    Preciso adquirir esse livro, pois, talvez, mude minha visão da autora.
    Adorei a resenha!
    Bjs

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  14. Oie
    que legal a capa, parece ser uma história bem interessante, eu ador o gênero e já anotei a dica então vamos ver se rola de ler em breve, adorei sua resenha

    Beijos
    http://realityofbooks.blogspot.com.br/

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  15. Oiii!!

    Eu ameeeei azul da cor do mar e fiquei animada quando a autora anunciou o lançamento dessa obra. Gostei de saber o que eu posso esperar do livro e já estou indo atrás do ebook ❤

    Obrigada pela dica!

    Beijinhos

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  16. Oi Beta, sua linda, tudo bem?
    Obrigada por esclarecer na resenha que é a versão dele sobre o livro Azul da Cor do Mar, eu tenho o primeiro livro e não sabia desse. Achei a capa bem diferente do outro, não seguei o mesmo padrão, mas gostei. E sua profissão realmente não é fácil. Dica mais do que anotada!!!
    beijinhos.
    cila.
    http://cantinhoparaleitura.blogspot.com.br/

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  17. Olá, tudo bem? Sou fã convicta da Marina Carvalho e quero muito ler esse livro <3 Já li Azul da Cor do Mar e já estou doida querendo esse <3
    Adorei!
    Beijos,
    diariasleituras.blogspot.com

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  18. Olá, Beta!

    Não sou do jornalismo. Nunca tive interesse em ser dessa área, mas admiro os bons profissionais, aqueles que vão atrás da notícia, que fazem seu trabalho sem perder a capacidade de ser humano e observar limites. E achei essa citação linda!

    Tenho que apostar mais nos autores brasileiros. E fiquei muito interessada nos livros nessa autora depois de ler sua resenha.

    Eu sou perdidamente apaixonada pela escrita. As palavras falam por si mesmas e o que eu acho mais mágico é que nem todos conseguem compreendê-las, ainda que lidas em seu idioma. Uma frase pode ter tantos significados... É possível brincar com as palavras de tantas maneiras que eu fico fascinada!

    Bjs!

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  19. Eu adorei essa menina. Eu adorei esse menino. Talvez até compreendendo seus fracassos e seus sucessos sem tê-los conhecido. Eu quis formar-me em jornalismo, inclusive prestando seu vestibular e sendo aprovada, mas sua magia foi quebrada aos poucos, afinal eu gostava de escrever e não de ser jornalista, além de que eu não gostava tanto de dissertação quanto eu gostava de descrição e narração.

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