domingo, junho 05, 2016

Ciao!!!


Depois de uma maratona de três semanas intensas, finalmente uma folga. Física e mental. A parte mental foi cortesia deste livro, que li em um dia entre idas e vindas para o plantão de sábado (quem disse que ler esperando ônibus não rende nunca me viu fazendo isso...).
E me fez lembrar de algumas coisas...

Confissões de uma garota excluída, mal-amada e (um pouco) dramática – Thalita Rebouças – Arqueiro
(2016)
Personagens: Teanira de Oliveira

A vida de Tetê não estava fácil. Mudanças demais, situações desconfortáveis demais e ela tentando simplesmente passar por tudo sem ser percebida. O problema é que a família dela – pai, mãe, avós e bisavô – não tem limites e não sabem respeitar o dela. Depois de sofrer bullying e ser excluída na escola antiga, estava prestes a começar na escola nova, e não tinha muita esperança de que fosse ser diferente. Enfim, como sair desta encrenca?

Comentários:

- Ah, a tragédia de ser adolescente. E se chamar Teanira. E ter visto o casamento dos pais por um fio. E o pai desempregado. E todo mundo morando na casa dos avós em Copacabana. Para não dizer que estava tudo ruim, pelo menos sair da Barra significou trocar de escola e talvez, se ao menos isso desse certo, ser uma pessoa normal e não a estranha, inteligente, excluída e alvo favorito do bullying alheio.

- Na escola nova, ela acaba se unindo com os outros excluídos. Davi, um garoto formal, inteligente e muito ligado aos avós, que o criou e ao irmão, que atualmente morava em Juiz de Fora onde cursava computação na universidade federal. E Zeca, o adolescente gay com senso de moda, sinceridade a todo instante e seguro de si o suficiente para ignorar quem tentava irritá-lo de alguma forma. Ah, ela também foi notada por Erick, o garoto lindo da sala. Se fosse um pouco menos atrapalhada e articulada socialmente talvez causasse uma impressão melhor.

- Mas nem tudo foi perfeito né? Caiu na antipatia automática de Valentina, a mais badalada da sala. O que rende a sensação de replay dos piores momentos. Só que desta vez ela não estava sozinha: tinha Zeca, o conselheiro e personal stylist para todas as horas e Davi, sensato e bem-educado. Poderia lidar com tudo e não sofrer calada como antes.

- Quem passou pela adolescência ou conhece quem está nesta fase, pode reconhecer algumas situações típicas: o fator “meu corpo se voltou contra mim”, afinal é uma fase de mudanças e tudo fica muito estranho e desajeitado; o fator “picuinha/implicância/maldade” daquelas coisas que uns dizem dos outros e se você não tiver confiança em si mesmo pode ter consequências bem sérias; as famílias querendo ajudar e fazendo você passar vergonha do tamanho do ego de vilão de desenho animado.

- No entanto, o detalhe mais relevante é que “nós somos as primeiras pessoas que precisamos nos amar”. Não, isso não é bla bla bla de livro de autoajuda. Existe vaidade e existe cuidado consigo mesmo – não estou mandando fazer plástica e virar quem não é, mas coisas que te façam sentir bem. Tetê descobre isso empurrada por Zeca. Eu descobri nisso uma forma de me divertir escolhendo cores bem malucas para esmaltes. Para isso tive que lidar com a ansiedade que me fazia destruir as unhas. Os dentes levaram mais tempo, mas se serve de consolo, Tetê ao menos fez o tratamento ortodôntico na época certa – segundo o dentista, o corpo colabora mais na adolescência que dez anos depois quando eu o tratamento de (engenharia) ortodôntica que colocou meus dentes nos lugares onde deveriam ter nascido. E eu detestei. Muito. Até esquecer e o tempo ajudar e tudo dar certo. O resultado dos dentes tortos foi que me sentia feia e não sorria em fotos. Mas só precisei passar por isso para descobrir que não eram eles que me definiam. Ah, qual é? Está achando que só você teve perrengue quando era aborrecente? Por que vocês acham que uma temática recorrente no Literatura de Mulherzinha é “patinho feio”. Identificação, monamu. Até que percebi que ser patinho era fenomenal e que feio era ponto de vista – e que não precisava ser o meu. 
Porque no fundo todo mundo se sente um pouco excluído e mal-amado, todo mundo tem seu drama. Sem dramas. A gente não está na pele do outro para sentir”.
- Enquanto Tetê descobre quem é de verdade e como se sentir confrotável com isso, a autora apresenta as consequências do bullying, as relações de lealdade (ou não) entre grupos de adolescentes, reforça o valor da família (por mais “só Jesus na causa” que seja), lembra que as pessoas podem errar e podem magoar outras de propósito e que nada se conserta em passe de mágica. Mas talvez não adiante eu te contar isso, jovem padawan. Tem coisa que a gente precisa viver para saber como lidar. Tempo e experiência. Um dia você terá. Eu ainda estou acumulando as minhas.

- E só pra reforçar, quando vi o título gigantesco, fiz um comentário sobre “como parecia coisa de escorpiano surtado”. Adivinem qual o signo citado nominalmente e que tem os defeitos enumerados no livro?


Bacci!!!


Beta

ps.: Se quiser saber sobre outro livro sobre bullying na adolescência, recomendo este.
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