sexta-feira, dezembro 25, 2015

Ciao!!!




Sim, sou aquele tipo de leitora louca que compra o livro, jura que vai ler rápido, coloca na pilha... E quando o reencontra, se pergunta por que esqueceu e promete que vai ler rápido e cumpre!
Afinal de contas, é Natal. Não tem data melhor para este livro, né?

O presente do meu grande amor: Doze histórias de Natal – Stephanie Perkins (org) – Intrínseca
(My true love gave to me: Twelve Holiday stories - 2014)

Na Europa, havia o costume de celebrar os 12 dias de Natal, entre os dias 25 de dezembro e 5 de janeiro – “A Décima Segunda Noite”. Cada dia é comemorado com um banquete para celebrar um santo ou outras programações e se tornou tema de uma música repleta de referências cristãs.

Com esta inspiração, a escritora Stephanie Perkins reuniu outros 11 autores para um livro com contos que se passam neste período (ordem em que estão no livro):

- Meias-noites – Rainbow Rowell
A abertura do livro conta sobre os encontros dos amigos Noel e Mags no Reveillon ao longo dos anos. Como eles se conheceram em um e passaram a se reencontrar sempre nesta data. Noel sempre brincava que ela salvou a vida dele, que tinha “alergias obscenas” e ela nunca levava a sério. Afinal, Mags não conseguia entender os sentimentos pelo amigo e sempre escapa de ter que dar o beijo da hora da virada nele. Até o dia em que ele decide que ela não vai fugir mais.

Como eu adoro essas histórias de “o amor pode estar do seu lado”, onde a amizade evolui para o amor, nem preciso dizer que amei o conto de abertura, né? O senso de humor de Noel recebia como contraponto a capacidade de Mags não dar corda a ele. Como a trama se passa ao longo de quatro viradas de ano, a gente percebe o quanto eles evoluíram e se completam, mesmo precisando de um tempinho para admitir.

- A Dama e a Raposa – Kelly Link
Miranda sempre visita os Honeywells no Natal, por ser afilhada da anfitriã. Ela observa todos os convidados exóticos e barulhentos, muito distante da própria realidade, de ser uma garota que vive com parentes porque a mãe está presa na Tailândia. Em uma destas visitas, ela encontra Fenny, um rapaz misterioso, usando um incrível casaco justacorps que chamou a atenção dela. Unidos pela neve, pelo Natal e pelo destino de uma raposa, será um encontro que mudará a vida deles.

Todo mundo vive a esperança de que o Natal é um período onde tudo é possível, porque há magia no ar. Justamente explorando o sobrenatural, a autora conta como uma menina criativa encontrou saídas – a partir da própria história marcada por perdas e ausências – para libertar um rapaz preso por um encanto. Mantém a linha encantadora da abertura do livro.

- Anjos na neve – Matt de la Peña
Shy estava tomando conta de Olive, para que o casal de donos viajasse nas férias. No entanto, não havia nada para comer e ele estava sem dinheiro para comprar. E o jejum forçado refletia as dúvidas dele de continuar no curso de Música em Nova Iorque quando a família no interior enfrentava dificuldades. Até que a vizinha Haley bateu pedindo ajuda com o chuveiro dela, que se recusava a funcionar.

Neste caso, temos dois personagens questionando as próprias vidas e compromissos. Haley não conseguiu viajar para encontrar a família e o namorado de longa data. Shy também não viajou e, para piorar, estava fazendo jejum forçado por não ter comida na casa onde trabalhava como babá de uma gata muito fofa (pode espremer?) e de estar sem dinheiro para comprar. Com a convivência, apesar de ele tentar disfarçar, Haley descobriu vários segredos dele. E um encontrou no outro um ombro para a pausa necessária para avaliar a vida, as inseguranças e os sonhos.

- Encontre-me na estrela do norte – Jenny Han
Natalie foi deixada no trenó do Papai Noel na véspera de Natal e foi adotada por ele. Morava com ele e com todos os duendes no Polo Norte e ajudava na preparação dos presentes a serem levados para as crianças boas. Ela só tinha olhos para Flynn, o mais bonito dos duendes e sonhava em ir com ele ao Baile de Inverno, uma chance de festejar antes da reta final do trabalho pra o Natal do ano. Só que ele não a convidaria, apesar de toda a amizade. Mas não significava que ele não tinha um presente para ela.

Apesar de ter sido criada por Papai Noel, Natalie se sentia uma estrangeira no Polo Norte. Apesar de interessada pelo amigo duende Flynn, ele a enxergava apenas como uma amiga. Apesar de garantir que, durante uma das viagens de Papai Noel, ela conheceu um garoto humano, ninguém acreditava nela. Talvez para ser levada a sério, ela teria que fazer um pedido de Natal para que seus desejos fossem atendidos. Fofo, um tantinho agridoce, mas totalmente identificável: quem nunca depositou a esperança em um pedido para Papai Noel?

- É um milagre de Yule, Charlie Brown – Stephanie Perkins
Sabe quando a vida está tão ruim que não sobrou nada para o espírito natalino? Bem, Marigold Moon Ling poderia resumir assim os últimos meses e a mudança para uma casa que ainda não é um lar em Asheville. Às voltas com um trabalho, ela precisava fazer um pedido a North Drummond, o rapaz da loja que vendia árvores de Natal. Para isso, acaba comprando uma nada vistosa. E conseguindo muito mais que esperava.

(Pausa para eu sair do meio de toneladas de corações piscantes. Prontinho.) Sabe aquele Natal dos comerciais de refrigerantes e afins? Então, não é o caso aqui. Tanto Marigold quanto North estão conformados por viverem situações que, ao menos por enquanto, não podem mudar. Carregam dores, inseguranças, frustrações e o peso de responsabilidades que sentem ser suas. Um aparente encontro casual pode mudar tudo isso, quando a gente se permite o inesperado, o imprevisto, aquele momento que causa a quebra do ciclo vicioso da conformidade. Diálogos divertidos, personagens identificáveis, dores que a gente compreende, me apaixonei por eles e fui recompensada com a recuperação da esperança em dias melhores que os dois encontram e compartilham na jornada deles.

- Papai Noel por um dia – David Levithan
O que a gente não faz por amor? Só isso mesmo para convencer um rapaz judeu que nem comemorava o Natal a se vestir como Papai Noel para manter viva a inocência e a crença da irmã caçula do namorado. Além de ele duvidar o tempo todo de si mesmo enquanto realiza a missão, ainda topa com a irmã do meio, uma adolescente revoltada (com razão) com o mundo. E como o Natal inspira o melhor de nós, pode ser que ocorra um milagre.

Quem visita o Literatura de Mulherzinha sabe que eu amo de paixão o David Levithan, né? Leria até bula de remédio que ele escrevesse. Quando chegou o conto dele já estava preparada para me apaixonar e ele não me decepcionou. Acompanhamos pelo olhar do narrador, todos os sentimentos confusos, complexos e inseguros ao realizar a missão de manter o Natal vivo no coração de uma criança. À medida que o texto progride, a gente percebe que isso era a ponta do iceberg da importância da missão pedida por um namorado para a pessoa que ele mais confia. É singelo, é triste, é alegre, é melancólico, é sincero, é compreensível, é cativante, é engraçado, é apaixonante. Um dos meus favoritos no livro.

- Krampuslauf – Holly Black
Uma festa saudava o Krampus, o horripilante companheiro do Papai Noel, em Fairmont. A narradora e a amiga Wren estavam às voltas com o sofrimento da outra amiga, Penny, que se apaixonou por Roth, que estudava em uma escola rica e tinha outra namorada. Com a missão de fazer uma festa de baixo custo para um monte de gente no trailer da avó, a narradora e os amigos se desdobram em trabalho. Um pouco de magia não faria mal.

Realmente não conhecia a lenda do Krampus. Acompanhamos a dinâmica do relacionamento das amigas, a missão impossível de fazer uma festa para impressionar com 200 dólares. Mostra que às vezes conseguimos alcançar nossos objetivos com planejamento e criatividade. E ainda que a gente não precisa depender tanto da opinião dos outros. Ah, quem dera que houvesse mesmo magia para dar um castigo em gente cretina...

- Que diabos você fez, Sophie Roth? – Gayle Forman
A garota judia que vivia fazendo coisas “sem noção” encontrou um rapaz negro durante o recesso da universidade do Fimdomundo – forma como ela se referia à instituição no interior do país. Ela não pode viajar como as demais estudantes por causa do preço da passagem e tinha que esperar a semana seguinte. Deste inesperado encontro, começa uma conversa sobre preconceitos, Natal, Chanucá, perdas...

Foi um conto que achei um pouco arrastado para ler. A personagem inicial me pareceu um tanto irritante. Até a hora que começa a conversar com o Russell e vê os conceitos pré-estabelecidos dela serem destruídos e que havia muitas outras possibilidades além da forma como ela vê o mundo. A quebra dos estereótipos move a história que passeia sobre insatisfações, medos, resoluções pessoais e até se permite acreditar em milagres de Natal.

- Baldes de cerveja e o menino Jesus – Myra McEntire
Vaughn é o bad boy oficial da cidade. Mas ao perder o limite e destruir o celeiro onde seria encenado o presépio vivo e a festa de Natal da Igreja Metodista, foi salvo de parar na cadeia pelo pastor. No entanto, ele teria que trabalhar para realizar o evento. Outros contratempos aparecerão. E será a vez do rapaz em que quase ninguém acredita mostrar que tem valor – para muitos, inclusive ele mesmo, um milagre de Natal.

Vamos falar sobre redenção? Vaughn foi uma criança mal comportada diante da destruição da família. Graças a isso, construiu uma reputação que fazia com que quase ninguém acreditasse nele. Agora, a confiança do pastor Robinson e da filha dele, Gracie, o inspirava a ser uma pessoa que usa a inteligência e criatividade para fazer coisas produtivas e não destrutivas. E esta nova meta de vida pode trazer desafios imediatos e reveladores para ele. Um tanto previsível mas muito fofo. Agradável de ler.

- Bem-vindo a Christmas, California – Kiersten White
Maria era uma das poucas moradoras de Christmas, California. E contava as horas para fugir de lá, porque não quer ficar presa a uma cidade que ninguém sabe onde está. No entanto, a chegada de Ben, novo cozinheiro do restaurante da família do padrasto causa impactos inesperados nela e nos clientes. E pode ajudar Maria a finalmente mudar a forma como enxergava a vida e as outras pessoas.

Uma história sobre uma adolescente insatisfeita com tudo que a cercava e que, por se sentir incompreendida, só pensava no dia que conseguiria fugir e deixar isso para trás. Ben sabe o que é deixar a vida para trás e assumir uma nova atitude. É uma história de recuperação da fé, de vencer a desesperança, de parar de ver apenas o lado ruim do mundo e se abrir para opções não percebidas antes. Está entre os meus contos favoritos, especialmente pela forma como Ben age e encara a vida.

- Estrela de Belém – Ally Carter
No aeroporto de Chicago, Lydia se compadeceu do desespero de uma jovem islandesa e aceitou trocar de passagem com ela. Enquanto Hulda foi para Nova Iorque, como queria, Lydia, que queria se distanciar do mundo, foi parar em uma cidade no interior de Oklahoma, passando a ser “Hulda” para a família que a esperava. Ao assumir esta identidade, não é que Lydia voltou a encontrar o sentido para a vida e sentimentos que imaginou não vivenciar novamente?

Não deixa de ser divertido ver até que ponto Lydia se embola fingindo ser a intercambista islandesa esperada pela família do interior. Apenas Ethan, o rapaz que aguardava a verdadeira Hulda, sabe que ela não é quem diz ser. No entanto, ela mantém o mistério de quem é até para ele, afirmando apenas que não tem casa nem ninguém que espera por ela. Ao ser convencida a ficar, Lydia reencontra a esperança perdida e alimenta esta esperança na família que a acolheu. Muito gostoso e fofinho para o leitor.

- A garota que despertou o sonhador – Laini Taylor
Na Ilha das Penas, as jovens aguardam a tradição do Advento: receber os presentes que os admiradores deixam na porta de suas casas. Caso recusem, devem deixar uma flor morta ao lado do presente. A jovem Neve teve o azar de ser escolhida pelo Reverendo Spear, para ser a terceira mulher. As anteriores morreram. Neve não queria ser a próxima e pediu ajuda à verdadeira alma daquela terra. A oração foi atendida e ela agora tinha um aliado para evitar um triste destino.

É um conto com toques de fantasia. Não o escolheria para ser o encerramento do livro. Ao contrário dos outros, exige a nossa atenção para entender a dinâmica do ambiente criado pela autora. Uma garota que perdeu família e amigos se vê confrontada com uma ameaça da qual não conseguiria escapar sozinha. Ao ter a prece acolhida e o Sonhador despertado, ela encontrou uma esperança de conseguir mudar o próprio destino para algo tão bom que ela nunca se atreveu a imaginar que fosse possível.

***

No geral, são histórias de Natal e Ano Novo, de expectativas por dias melhores, de surpresas, de superação, de sonhos realizados, de manutenção da inocência, de perda da fé, do desejo de ser feliz, de busca por amor, por família. Com tanta variedade, foi uma ótima apresentação ao trabalho de alguns autores que eu já tinha ouvido falar, mas ainda não tinha lido. E, claro, uma chance de reencontrar dois dos meus favoritos – Stephanie Perkins e David Levithan. É um livro que não esconde o otimismo, mesmo quando as narrativas não o apresentam. Aquele espírito de que, pelo menos nesta época do ano, a gente pode se esquecer das tristezas e – por que, não? – até da realidade para sonhar com aquilo que nos deixa feliz. E que nem sempre é possível comprar em uma loja e receber em uma caixa embrulhada na madrugada deste dia 25.


Bacci!!!

Beta 

Ps.: Eu me diverti caçando os protagonistas dos contos na capa. Alguns são bem fáceis de identificar. Outros, ainda fiquei em dúvida. Mas estão todos ali :)
Reações:

Um comentário :

  1. Uh, eu apreciei algumas histórias mas não fiquei sequer simpatizada por outras histórias, porém não houve meio termo. Eu adoro aquela canção antiga sobre doze dias de natal, mas eu não gostei desse livro, ainda que inspirado por aquela canção antiga, que agrada tanto meu coração ao ouvi-la. Mas foi uma idéia simpática ...

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