sábado, setembro 12, 2015

Ciao!!!




É o seguinte: para continuar lendo a série você tem que AMAR ou pelo menos TOLERAR o estilo de escrita da autora.
E eu tenho sérias dúvidas de ser capaz do segundo (do primeiro, já desisti). Nem pelo Jamie.

Outlander: o resgate no mar, parte 2 – Diana Gabaldon – Saída de Emergência
(Voyager - 1994)
Personagens: Claire Randall Fraser, Jamie Fraser e minha (falta de) paciência

Após deixarem Edimburgo para trás, Jamie levou Claire e o sobrinho jovem Ian de volta a Lallybroch sabendo que não seria propriamente recebido com alegria pela irmã e pelo cunhado. Após uma descoberta de mais um aspecto da vida de Jamie nos 20 anos em que estiveram separados, quase que Claire o abandona e quase Jamie é morto. Para fechar esta página, eles precisam do dinheiro e, na tentativa de conseguir, outra complicação: joven Ian é sequestrado e levado em um navio. Jamie e Claire dão um jeito de partir no resgate do sobrinho em outra jornada repleta de imprevistos, doenças, reencontro e mais riscos.

Comentários:

- Diana Gabaldon, vamos ter uma conversa, de prolixa para muito prolixa. Eu sei o que é ter amor às palavras. Sei o que é escreverem muitos parágrafos o que outras pessoas escrevem em muito menos. Por isso, sei que precisamos ter limite. Entendo que a sua pesquisa é tão extensa que tem horas que parece relato detalhadíssimo de quem viveu o tempo onde é narrada a história. Sei que nem todos você tem muitos fãs que amam tudo, as vírgulas, as pausas, os relatos dignos de epsiódio de ER ou de curso intensivo de geografia, botânica etc e tal.

- Só que existem as pessoas como eu, que entram em desespero cada vez que a história entra em hiato para o detalhamento de algo que eu até queria ver voltar depois, mas duvido que isso aconteça. E neste livro isso ficou evidente. Afinal de contas, a justificativa do “Resgate no mar” que batiza esta parte e a antecessora só surge na página 144, quando o Joven Ian é levado.

- Ok, entendo que muito precisava ser construído para chegar a este momento: as pesquisas de Claire, Brianna e Roger na primeira fase sobre o que ocorreu com Jamie e a possibilidade de ele ter sobrevivido à Culloden; a decisão de voltar para a Escócia do século 18. O reencontro de duas pessoas que se amam após 20 anos sem se ver. Será que ainda existe o amor ou apenas na imaginação deles? No entanto, a vida de Jamie após o massacre de Culloden não foi fácil e ele tomou algumas decisões arriscadas. Claire ressurgiu em um destes momentos onde, de novo, a cabeça dura, linda e ruiva dele está ameaçada. Entendo que ele não despejou um “esta foi a minha vida sem você”, o que levou a descobertas chocantes e irritantes para Claire (uma inclusive foi resultado de uma ação de uma pessoa que antes a amava e demonstrou que não morreu de amores pelo retorno miraculoso dela). A minha pergunta é: precisava de quase 700 páginas para isso? Ou se preferir, um livro inteiro até chegar ao motivo deste livro!

- Então temos o mesmo problema dos livros anteriores: quando a gente pensa “OK, começou. Agora vai engrenar”, a trama realmente anda por um tempo... Até encontrar uma curva e parar para admirar a paisagem. Temos as discussões de relacionamento entre Claire e Jamie, porque ambos querem – e ao mesmo tempo não querem – saber o que cada um viveu com outros parceiros enquanto estavam separados. Isso eu ainda entendo a necessidade. Afinal de contas, 20 anos não são dois segundos. No entanto, eu – inocentemente – achei que não tinha como ser detalhista nas ações dentro de um cenário claustofóbico como um navio no século 18. #PegadinhadaDG. Ela encontrou forma de ser muito detalhista (em se tratando dela é redundância, mas me perdoem) na narrativa da viagem de Claire e Jamie. Como as opções não era muito variadas, rodou o tempo todo em torno de Claire exercendo a medicina (da forma como dava) em um navio (que está longe de ser esses cruzeiros que a gente vê atualmente) do século 18.  E me chamem de fresca, porque sou mesmo, provavelmente os anos sem ver ER me amoleceram, porque não dei conta de imaginar os cenários que ela tão meticulosamente descreveu – é quase um convite à hipocrodria. A vontade foi de ligar pro meu médico e pedir uma bateria de exames.

- Ah, claro, é tanta informação passando pela nossa narradora onisciente e onipresente favorita que uma delas, tão relevante, passou batida pela heroína até a hora da cena “mas, oh, como assim?”. Eu, igualmente atolada na overdose de informações sobre doenças e insetos nojentos (aranhas não são necessariamente algo que eu queira encontrar nem na vida nem na arte), consegui perceber – porque cismei com o sobrenome do personagem. Em compensação tinha me esquecido de outro personagem a tal ponto de imaginar que ele tinha caído do céu até citarem a participação dele em uma cena importante da parte 1 e eu “ok, potássio na lista de pedidos pro médico porque o HD mental deu pau...”

- Entre momentos “pare um pouquinho, descanse um pouquinho, 550 km”, a trama chega ao trecho final (porque graças a Deus o Caribe by DG se resumiu a poucas ilhas, porque se ela resolve citar todas, Jamie e Claire estavam brincando de pique-esconde um do outro, e dos piratas e da marinha inglesa até agora). E aí veio minha raiva. Porque gastou cerca de 900 páginas para chegar ali e me arruma um desenlace com flashbacks explicativos e uma solução tão corrida que eu juro que tive que ler o mesmo trecho duas vezes para entender o que houve e ver quem estava onde. Ainda mais porque temos o aparecimento de uma criatura que me fez ficar “Ok, é tipo filme da Marvel, né?” (acabei de dar um meio spoiler só pra quem entendeu a referência, como diz o Capscolé em The Avengers). Claro que o livro termina sem terminar, abrindo gancho para a próxima parte ao apresentar o local onde eles foram parar.

- Moral da história: o detalhismo que tomou whey da autora minou a minha paciência. Amo Jamie, mas não sei se tenho forças e interesse para encarar a parte 4. Ainda mais porque posso até imaginar: mais provas ao amor dele, mais perigos em uma terra desconhecida, mais Claire não seguindo orientações ou Jamie se colocando em riscos, muitas explicações sobre doenças e formas de tratá-las no século 18 (“Meu reino por penicilina”, bradará Claire em algum momento), DRs, teimosia e um amor resistindo aos testes cada vez mais agressivos. Isso se não entrar mais gente para esta história que vai além do tempo, dos limites e da paciência do leitor. Não, não li resumo nem spoiler do que vem por aí. Apenas intuição diante de fatos dos livros anteriores.

- Estou perto de declarar minha independência. Convencendo minha mente de que, após tanto desassosego, desgraça, tragédia, babado, confusão e gritaria, Jamie finalmente será feliz. Se a curiosidade for maior que todas as ressalvas e que tenho e tudo que não gosto na série, talvez eu leia. Talvez.

- Eis a ordem dos livros que estão sendo relançados pela Saída de Emergência na série Outlander:
1. Outlander - A viajante do tempo 
2. Dragonfly in Amber - A libélula no âmbar 
3. Voyager - O resgate no mar parte 3.1 e parte 3.2
4. Drums of Autumn - Os tambores de outono
5. The Fiery Cross - A cruz de fogo 
6. A Breath of snow and ashes - Um sopro de neve e cinzas
7. An Echo in the Bone - Ecos do Futuro
8. Written in my own heart blood 


Bacci!!!

Beta
Reações:

2 comentários :

  1. Zeus, suas postagens escritas sob raiva intensa contra autor ou romance são ótimas mesmo !!! Eu estive divertindo-me um bocado ao ler suas palavras, hihihi !!! ... Eu sei que você está com paciência muito curta e quase inexistente para com esse estilo dessa autora, mas lembre-se que você correria risco de ter que reler se quisesse completar essa saga mais tarde (se parar de acompanhar agora). Força, pelo ruivo !!!

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  2. kkkkkkkkkkkkkkkkk... Ai, Beta! Concordo com a Sil de Polaris, você deveria seguir lendo a série pelo menos pelo Jamie. :D

    Eu sou totalmente louca por essa história! Ainda não li nem a primeira nem a segunda parte do terceiro livro, mas é algo que acontecerá em breve. Ansiosa para ver meu casal querido junto outra vez.

    Bjs!

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