sexta-feira, junho 05, 2015

Ciao!



Sim, é um livro extremamente romântico romântico.
Sim, é um livro com a exata dose de melancolia melancolia.
Sim, para mim, especialmente, por motivos que a autora não tinha como saber, houve momentos tristes tristes.
Sim, mesmo assim, ele é bonito bonito.

Sr. Daniels – Brittainy C. Cherry – Record
(Loving Mr. Daniels – 2014)
Personagens: Ashlyn Jennings e Daniel Daniels

Um olhar trocado e uma conversa sobre Shakespeare no trem. Eles eram dois estranhos que se sentiram atraídos e com um gosto muito particular em comum, além de estar a caminho do mesmo destino, Edgewood, Wisconsin. Foi assim que Ashlyn e Daniel se conheceram. Uma pausa em meio ao momento de perdas e confusão que ambos viviam. No entanto, o que prometia ser perfeito se revelou um problema para os dois ao descobrirem que eram professor e aluna e não poderiam ficar juntos.

Comentários:

- Após a morte de Gabby, a irmã gêmea, Ashlyn estava vivendo um período muito ruim. Além do luto da perda da melhor amiga, ela estava se sentindo sozinha. A mãe, Kim, não a queria por perto e a mandou para a casa do pai, Henry, com quem ela não tinha contato há muito tempo. É neste estado de espírito doído e confuso que ela embarcou no trem para Wisconsin, levando uma mala com mais que lembranças físicas da irmã. Não esperava encontrar na viagem um músico (ela reconheceu pelos tiques que Gabby, que tocava violão, tinha) que gostasse de Shakespeare. Ele a convidou para ir a um show da banda dele. E tudo pareceu muito perfeito em meio ao caos, à dor, à confusão e a descoberta de que o pai tinha uma nova companheira, Rebecca, e uma família, inclusive com dois adolescentes, Hailey (que chamava Henry de papai) e Ryan (os "gêmeos irlandeses"), a sensação de não pertencer a lugar nenhum e de estar condenada a ser uma estranha no ninho.


- Daniel era músico, da banda Romeo’s Quest. Apaixonado por Shakespeare. Também estava lidando com a perda recente do pai que somada a perda traumatizante da mãe (que, aliás, me lembrou de uma circunstância de um filme que eu sei de cor: ações de um filho causam a morte da mãe e agravam o rompimento com o irmão) era algo pesado para se lidar. E neste período de trevas (pelo qual ele estava tentando passar), ele encontrou uma menina com olhar triste no trem lendo Shakespeare. Dois estranhos se conhecem no trem e se identificam. Mais romântico, impossível. Mais perfeito, pouca chance.

“Eu sou um títere do destino”
(Disse Romeu na peça sobre os desvalidos amantes de Verona. Sim, já li. Fiz até trabalho para a faculdade, mas está longe de ser o que mais gosto do Bardo).  

- E totalmente proibido quando eles descobrem que Daniel também era o Sr. Daniels, professor de Inglês, que daria aula para Ashlyn, que era filha do vice-diretor da escola. O pior era saber que, se tudo tivesse corrido bem, ela já teria terminado a escola. Eles estariam livres para ficarem juntos. Mas se nada tivesse sido como foi, Ashlyn nem estaria em Edgewood, o que comprova que era destino que eles tinham mesmo que se encontrar, conhecer e passarem por isso juntos. Ambos já tinham muito com o que lidar... E quem consegue colocar razão em sentimentos, ainda mais tão intensos quanto os que começaram a unir Ashlyn e Daniel? Eles não se perdem de vista, mas também não podem ficar juntos e, em hipótese nenhuma, que qualquer outra pessoa perceba.

- Não sei como a autora conseguiu deixar o romance deles leve apesar de tudo que os cerca e os torna pesados. Ashlyn começa a se situar e mesmo que ainda se sinta perdida se vê envolvida em muitas outras situações além da própria dor e da saudade, que tenta amenizar cumprindo os itens da lista que a irmã elaborou antes de morrer. Para cada “OK”, uma carta correspondente deveria ser aberta. Ashlyn e Daniel também se identificam por viverem uma série enorme de sentimentos mal resolvidos (claro que nada vai se resolver no caso deles de uma hora para outra. Você não supera morte de pessoas amadas, aprende a viver com isso. Por mais que se recuse, precisa viver e passar pelo luto para aprender a celebrar a vida e o amor de quem se foi), em circunstâncias desfavoráveis... 

- ... Sim, retorno de parentes em missões praticamente suicidas; relações familiares há muito rompidas sem saber como reconstruir; famílias aparentemente perfeitas revelando rachaduras causadas pela falta de compreensão. Estamos longe de um mundo de comercial de margarina. O que me causou revolta por causa da ação de uma personagem, tão cega em convicções que esqueceu simplesmente que impor condições de “tem que ser assim, desta forma, esta é a forma correta” não é amor. Ainda mais quando é alguém que deveria entender e apoiar. Não empurrar para uma desgraça anunciada. Faço minhas as palavras da autora, a todos os Tonys, eu também vejo vocês. (Se quiser entender o motivo do Tony, Garoto encontra Garoto explica, por ter a mesma inspiração)

- Qual foi a coisa mais triste que aconteceu com você? – ele sussurrou colocando as mãos nos meus quadris.
- Leucemia.
Era apenas uma palavra. Mas era poderosa. Uma palavra que tinha colocado um limite de tempo no meu relacionamento com Gabby. Uma palavra que me fez chorar todas as noites nos últimos meses. Uma palavra que não desejo ao meu pior inimigo” (p.153)

- Comentei que houve momentos em que me vi jogando este livro pela janela. Geralmente prometo fazer isso com livros ruins. Aqui não foi o caso. O livro é bonito de doer. Prova que o amor é mesmo o caminho. Que se a gente permitir vivê-lo em suas alegrias e, também, em suas dúvidas e tristezas, seremos seres mais completos. Só que foi direto, sem meias medidas, em uma ferida minha recente. No dia 15, completam sete meses que Lucas, meu primo de 19 anos, morreu por causa desta doença maldita. Eu que eu vi nascer, peguei no colo, para quem mostrei a gaveta com meus DVDs do Indiana Jones e do Star Wars, com quem conversei sobre o Vasco, time dele, e o Botafogo, meu time. Para provar que “o acaso não existe”, há no livro algo que aconteceu na minha frente em circunstância muito parecida. A autora não tinha como saber disso. Ela não estava lá. Talvez tenha sido Deus usando uma das minhas paixões, a leitura de um livro inesperado, para mandar um daqueles recadinhos em neon fluorescente e piscante de que eu precisava encarar alguns sentimentos que, como legítima escorpiana teimosa, resolvi deixar em um cantinho “não toque” porque doem demais. Então quando vocês estiverem lendo a dor de Ashlyn sobre a forma como perdeu Gabby, posso garantir que é real.(E por isso peço que pense nisso aqui)

- O Sr. Daniels é apaixonante. A jornada deles é sofrida por uma série de razões. O sentimento entre eles é verdadeiro, mas precisa ser resgatado do emaranhado emocional pelo qual ambos passam. E se por acaso alguém comentar que é pouco provável um homem citar Shakespeare para qualquer coisa, lembrem-se do Tom Hiddleston, que deve ser capaz de explicar todas as peças do Bardo e ainda dar exemplos de personagens (sim, como ele mesmo disse em entrevista no Nerd HQ de 2013, é um “nerd sobre duas coisas: tênis e Shakespeare”). Ah, e claro que Muito Barulho Por Nada aparece aqui. E em uma cena muito interessante (sim, deu ideias). Com um aval real desses, qual era a chance de eu não gostar do Daniel Daniels?

- A autora estará no Brasil na próxima semana, vai participar do #MochilãodaRecord no Rio de Janeiro, no dia 12 de junho e em SãoPaulo, no dia 14. Por favor, alguém que for encontrá-la poderia tirar uma dúvida para mim: eu só queria saber (já que os autores sempre sabem sobre os personagens além do que escrevem) se tempo permitiu que Bentley ficasse bem. Se alguém perguntar, por favor, me fala. Eu tenho a impressão que sim, ele ficou bem. Mas prefiro ouvir de quem sabe.

Links: Goodreads autora e livro; site da autora.

Bacci!!!!


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Um comentário :

  1. Um romance muito fofura, mesmo sob um tema muito pesado e muito triste para sua heroína como leucemia. Seu herói não pareceu carregar uma carga menos pesada e menos triste também, mas ele surgiu-me cativante e envolvente. Eu cobiço esse romance e fiquei com inveja daqueles cabelos longos de sua capa ! Meus sentimentos pela sua perda, menininha. Eu creio que seu primo tornou-se seu anjo de guarda.

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