domingo, abril 12, 2015

Ciao!!!







Sim, era a primeira pergunta da votação. Por circunstâncias de tempo, foi o último que li dentre os escolhidos. Quando separei os livros para a votação da categoria “estreante” sabia que Outlander tinha jeito de favorito, apesar de um adversário que eu não esperava não ter dado sossego, como vocês podem ver.



Eis o post. Para resumir: senta que lá vem (MUITA) história.

Outlander: a viajante do tempo – Diana Gabaldon – Saída de Emergência
(Outlander - 1991)
Personagens: Claire Beauchamp Randall e Jamie Fraser

Finalmente, normalidade. Claire acreditava que, após oito anos de casamento, conseguiria viver com Frank, agora que a Segunda Guerra Mundial terminou e ambos, ela enfermeira e ele militar, voltaram para casa. Só que os planos de alguma força superior para ela eram bem diferentes. Após retornar ao círculo de pedras em Inverness na Escócia onde assistiu a um ritual em Craigh na Dun terminou viajando no tempo e caindo no mesmo local cerca de 200 anos antes. Em meio às intrigas de clãs escoceses, às tramas políticas e à perseguição dos oficiais ingleses, contar a verdade parecia impossível. Quem acreditaria nela? Com o tempo, entender o que aconteceu deixou de ser prioridade e até mesmo descobrir como voltar para casa, para Frank e porque ela não sabia se teria coragem suficiente para deixar Jamie para trás.

Comentários:

- Devo adverti-los de que este texto foi escrito após uma semana cansativa, de humor que variou entre extremos de tristeza e raiva sem fim, sob a intensa vigilância de um certo deus da Trapaça, com músicas em loop mental e sofrendo já os efeitos da queda da temperatura. E ainda fiz a burrice de ler a parte mais TENSA do livro em um ônibus urbano, o que me impediu de dar o mega ataque de nervos digno de leitora compulsiva por motivo de “mantenha a compostura”. Ao longo da leitura, foi sobrando pra quase todo mundo, da autora aos coadjuvantes – com uma exceção – até que finalmente o cantinho 100% Escorpião que existe em mim encontrou o alvo para se divertir destroçando mentalmente. Todos advertidos? Vamos começar.


- O livro é muito bom. Fico feliz de só ter lido agora. Porque em 1991, podem ter certeza, as 799 páginas se resumiriam a apenas um ponto que muito me interessa desde quase sempre. Não tinha maturidade para absorver algumas das coisas narradas aqui, nem sempre em primeiro plano. Agora consigo entender que nem sempre as coisas são o que parecem, que o malvado é o aparentemente honesto e impoluto e, definitivamente, há sim muito mais coisas entre o céu e a terra que supõe a nossa vã filosofia. Além disso, não vi a série ainda – sim, compartilho as fotos, dou pitis (o motivo ainda será esclarecido para quem subiu no trem andando), mas me determinei a ler antes de ver.

- Mas não é um livro perfeito. Há momentos lentos que podem estressar os mais apressados. Nem todo mundo é fã da narração em primeira pessoa. Aliás, Claire é uma narradora que beira a onipresença ou então tem uma memória extremamente privilegiada. Há descrições de ambientes de fazer virginianos e capricornianos detalhistas chorarem de alegria. Um dos comentários que anotei em um dos 27 post-its que colei ao longo do livro chamava a autora de Manoel Carlos. Sabe aquela coisa de “narrativas das miudezas do cotidiano” que ele faz tão bem em suas melhores e piores novelas? Ir à esquina, discutir a manchete do jornal na banca, falar sobre futebol com o porteiro do prédio, conversas normais durante as refeições, ou seja, aquelas cenas que servem para “gastar tempo” e que são cortadas na reprise? Pense isso em um castelo na Escócia em 1743. Aham, com o tempo você se irrita ou se acostuma ou ignora e espera pelo que vem pela frente (música).

- E vem, pode ter certeza de que vem. Outra lembrança que tive foi das discussões sobre roteiro na faculdade. Promessas devem ser cumpridas. Portanto, atenção às insinuações sobre caráter de personagens feitas ao longo da leitura. Algumas vão se realizar e você não vai poder alegar que não foi avisado. (Houve um caso específico que o que houve não me chocou e, sim, a autora ter tido a coragem de deixar acontecer. Talvez a minha postura gato escaldado se justifique por experiências em outros livros onde a promessa não se cumpre. Aqui a promessa paira até ser cumprida. Como leitora, quase implodi. Como alguém que analisa a trama, entendi e respeitei a escolha). Não faltam acontecimentos, reviravoltas, novas reviravoltas, teimosias criando encrencas (e deixando leitoras irritadas), escolhas e consequências. O perigo está sempre por perto e nem sempre de uma forma que é fácil identificá-lo – em muitos momentos, Claire vai descobrir isso das piores maneiras. Por isso, você provavelmente vai optar por ignorar as cenas onde nada parece acontecer, confiando no que realmente acontece e faz a trama andar.

- É importante destacar que, em 1945, pela primeira vez Claire e Frank tinham chance de ter um casamento de verdade. A 2ª Guerra Mundial os manteve separados, ela atuando como enfermeira e ele, professor universitário, no front. Mas eles se amavam. Então, além dos contrastes entre duzentos anos na Escócia (um exemplo citado no livro: banhos quentes!), há esse fator como motivador para voltar à época onde, em tese, ela “pertence”. Sem contar que ela é “a estranha no ninho” em todos os sentidos. Não é reconhecida pelos ingleses como uma delas. E definitivamente, para os escoceses, é a “sassenach” (inglesa, estrangeira, forasteira) que ninguém sabe de onde veio, com uma história que pode ser mentira e que pode ser uma espiã dos inimigos. Para piorar, os conhecimentos médicos a valorizam, mas também atraem boatos de que seria uma bruxa. São tempos difíceis, violentos, onde a fé anda de braços dados com algumas demonstrações de paganismo e intolerância. E muitas tramas políticas se desenrolam rumo a uma revolução que Claire sabe como vai terminar. Será que deve interferir? De que maneira? E o impacto dela no passado, como muda o que existe ou deixa de existir no mundo que ela deixou para trás?

- E a aparente semelhança com Frank é o que a confunde ao encontrar o antepassado dele, Jonathan Randall, o Black Jack Randall, o capeta em forma de capitão inglês, que foi algoz de vários homens e mulheres de diferentes clãs escoceses. Nem vou antecipar dizendo o que esta criatura apronta. Posso dizer duas consequências: a primeira envolve uma forma musical de identificar quando estou irritada no estágio “catástrofe nuclear” (música e música) e, desde o que houve com Amunzinho no livro 6 da série O Senhores do Mundo Subterrâneo, eu não ativava completamente o já mencionado cantinho 100%  escorpiano irado e possessivo disposto a destruir em nome da justiça com tempero de vingança. E tenho dito. (música)


- Claire está jogada em uma situação onde é impossível ter qualquer controle da própria vida. Sim, ela é valente. Claro que é determinada. É inteligente e observadora. E é teimosa de doer. Há momentos em que joga a prudência para o alto e age ou fala o que não deve, só piorando a situação. Podem perguntar às boas almas que me acompanharam nesta semana quantas vezes eu perguntei se a Claire insistia em se colocar em perigo só porque sabia que a autora gosta dela e não a mataria. Mas devo admitir que, na crise e na tensão na reta final, ela se saiu muito bem e ganhou o meu respeito ao fazer o necessário (música), mesmo que fosse traumático e desgastante (música). Só não posso perdoá-la completamente por ficar de mimimi no início, quando qualquer pessoa normal (ou mesmo eu que sofro de crises extremas de antipatia da humanidade) percebeu o óbvio...  


- ... Jamie! (música) James Alexander Malcolm MacKenzie Fraser, 23 anos, atualmente fugitivo com a cabeça a prêmio por um crime que não cometeu, morando com um sobrenome diferente no castelo dos tios MacKenzie e ciente de que era considerado por eles uma ameaça. Foi a primeira pessoa que Claire “consertou” com suas habilidades médicas. Ele se tornou praticamente uma sombra da Sassenach, sendo o “intérprete” dela para entender (ou não) o que ocorria e, em alguns momentos, evitando que ela fizesse besteira ou bancando o anjo da guarda /salvador da pátria da dama em perigo – e em alguns casos, se complicando por causa disso (música). (E a Claire de mimimi. Se o cantinho justiceiro não tivesse tããããão ocupado teria sobrado pra ela também). 

Agora entendi porque quem leu a série era completamente apaixonada por ele. E concordo. É perfeito nas imperfeições (sim, ele tem. É Outlander, não desenho clássico da Disney!) e estava disposto a protegê-la a todo custo (música). Tem que ser doida ou burra ou tapada ou uma inglesa teimosa ou uma overdose de tudo junto para não pensar em colocar o moço em cima de um cavalo e ir explorar toda a flora das matas das terras altas escocesas (música).

- Se você já leu algum outro post do Literatura de Mulherzinha ou acompanha meus surtos de tietagem extremas nas redes sociais, já sabe o que vou dizer aqui: tenho uma (vamos definir como) fascinação por ruivos (música). Se forem altos, oba. Com olhos azuis, de gato. Maravilha. E canhotos. Para. Para tudo. Isso não é um homem. É um fetiche ambulante de kilt. Cadê? (música) Quero já!!!! (música). Quero MUITO!!!! (música). (Perceberam que ele é a exceção e a única coisa que me interessa desde quase sempre?????).

- E não estou falando nenhum segredo, portanto, Amunzinho já sabia desta área de interesse de Betinha. No entanto, estranhamente, Loki resolveu ficar mais presente nesta semana (música. Por questões de segurança (desastrada em momento de faxina protege tudo que é importante), guardei meus mascotinhos no armário e eles ficaram lá confortavelmente instalados enquanto eu penava no início do livro e depois que a trama engrenou. Aí, numa tarde de leitura e muitas anotações em post-its azuis, quando me dignei a olhar pra TV, adivinha qual filme estava começando? Thor. Resultado, li toda a parte casamento + noite de núpcias com a companhia do meu príncipe desorientado favorito. E enquanto escrevo este texto, após assistir a uma reprise de Os Vingadores/The Avengers na TV por assinatura, meus mascotinhos, resgatados ao seu habitat natural de guardiões dos meus livros a serem lidos, estão aqui vigilantes. Já foram devidamente informados de que terão muito mais sucesso se entregarem para minha apreciação imediata a versão deles em carne, osso, altura, olhos azuis e sotaque britânico (música)

- Enquanto isso, o moço ruivo, alto, lindo, canhoto de kilt foi uma das poucas alegrias nesta semana exaustiva e espero logo ter tempo para, agora sim, ver a série e poder me concentrar em saber o que acontece no segundo livro. É, é série. Alguns já foram lançados, mas eram impossíveis de achar. Graças a Deus, a Saída de Emergência está relançando todos. O que permite que outras pessoas, como eu, tenham acesso agora aos livros e quem não os tinha possa comprar.

Série Outlander:

1. Outlander - A viajante do tempo
2. Dragonfly in Amber - A libélula no âmbar
3. Voyager - O resgate no mar parte 1 e parte 2
4. Drums of Autumn - Os tambores de outono
5. The Fiery Cross - A cruz de fogo 
6. A Breath of snow and ashes - Um sopro de neve e cinzas
7. An Echo in the Bone - Ecos do Futuro
8. Written in my own heart blood 

- Links: Goodreads livro, autora, série; site da autora (onde tem a cronologia da série).

Bacci!!!

Beta

ps: Caso vocês tenham chegado até aqui sem cair na tentação, todos os links escritos “música” se referem à alguma canção em que pensei enquanto lia Outlander ou escrevia este texto (tem uma que acabou de entrar). Algumas não possuem nenhuma ligação direta com a história, mas com a minha reação a ela. Outras conseguem ser as duas coisas. Optei por não dizer. Leia o livro e faça as suas correlações ;D.
Reações:

4 comentários :

  1. Huahuahuahuahah
    Fascinação, é? Mudou de nome?
    Olha, eu assisti três eps da série (estou rendendo os outros, não me amolem) e é difícil resistir a ler todos os livros no original. Como prometi que só começaria a ler quando tivesse todos os livros, ainda não peguei meu Outlander da prateleira. Mas todas vez que a Thata surta por conta dele, fico ainda mais ansiosa hahaha
    Mas nem mesmo sua (ahen) fascinação vai me fazer ler esse livro antes de ter, pelo menos, os 5 primeiros. Já tenho quatro, então, agora é só uma questão de tempo. Lol

    Bjus

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  2. Olá, Beta!!!! :D

    Esperei muito por este dia.kkkkkkkkk... Estava louca para ler uma resenha sobre Outlander escrita por você! E a espera valeu a pena, pois amei sua resenha! Está maravilhosa! E me encanta saber que você também ama o meu Jamie! :D

    Eu sou perdidamente apaixonada por esta história. Tanto pelos livros quanto pela série de TV. Adoro a Claire, com todos os seus defeitos e teimosias e mania de conversar calmamente com quem quer matá-la, e o Jamie... Suspiros... Ele é meu coração!rsrs... Não imagina o quanto eu sofri por tudo que ele passou. E quanto odeio certo personagem. Se eu pudesse entrava na história e matava aquele demônio com minhas próprias mãos!

    Você já deve saber que as coisas não serão fáceis ao longo da série, mas siga apostando no Jamie. Confiando nele. E amando-o. Ele merece. :)

    Bjs e lindo domingo!

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  3. É sempre maravilhoso quando mais alguém se junta ao clã Fraser. :D Mas preciso fazer apenas um pequeno reparo, que tem importância para ajudar a definir o perfil do Frank. Frank não era professor universitário durante a Guerra (até porque não tinha muito o que ele fazer na guerra como professor :D ). Ele era um oficial ao serviço do MI6. Só após o fim da guerra é que ele aceitou um lugar como professor numa faculdade. Na 2ª lua de mel deles ele ainda não estava desempenhando o cargo.

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  4. Uma imagem sensacional de Jamie !!! Eu nunca tinha visto imagem melhor deste escocês forte, lindo, ruivo, de kilt e tartan, montado a cavalo !!! Ele exala masculinidade naturalmente !!! Mas eu nunca tinha reparado que ele era canhoto - não mesmo !!! Outlander tem sido excelente até esse momento (mesmo e principalmente quando tenho meus impulsos assassinos). Foi um achado ótimo !!!

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