sábado, março 28, 2015

Ciao!!!




Ah, essa mania de querer ler tudo sobre Renascimento Italiano me rende cada coisa... Se bem que esta história não era tão desconhecida para mim, mas, definitivamente, não esperava o que encontrei.

Sua última duquesa – Gabrielle Kimm – Record
(His last duchess – 2010)
Personagens: Lucrécia de Médici e Alfonso d’Este

Um casamento de conveniência se transformou em mais que a união de uma casa tradicional – os Estes de Ferrara – com os novos-ricos vindos do comércio – os Médici de Muggelo. No entanto, a pressão para manutenção da dinastia, busca por poder, luxúria, desejo não consumado, loucura e a vontade de amar e ser amado. Lucrécia de Médici esperava apenas exercer o papel de esposa e duquesa e se viu presa em um casamento estranho que caminhava para uma tragédia...

Comentários:

                                           Lucrecia                                                 Alfonso

- Posso ter sido traída pela minha memória, mas creio que li algo sobre o casamento de Lucrécia e Alfonso no livro A vida secreta de Mona Lisa. De qualquer forma, a autora parte de um fato real: os dois personagens existiram mesmo e Lucrecia desapareceu dos registros poucos anos depois de se casar com o Duque de Ferrara. Vários autores consultados por Gabrielle Kimm na pesquisa não foram capazes de concluir o que realmente aconteceu com ela. E a autora, que teve a curiosidade despertada por um poema, inspirado por um quadro, resolveu contar a versão que imaginou para a vida de Lucrécia.

- Para os que não sabem, na época, 1559-1561 não havia Itália como nós a conhecemos atualmente. Eram várias cidades-estados que se uniam e se separavam em alianças conforme a conveniência. Também conforme a conveniência essas famílias se uniam através do matrimônio, oferecendo aos nobres suas filhas bem nascidas como esposas para que a próxima geração os mantivesse no poder, ricos e com “DNA de grife” (na falta de um termo melhor). As cidades eram independentes, mas desconfiadas umas das outras. No caso do livro, Roma (na época, os Estados Papais) é a sombra sobre Ferrara, ameaçando lutar pelo trono caso Alfonso não tenha herdeiros.

- Alfonso estava apaixonado por um ideal de perfeição que achou que poderia alcançar com Lucrécia. As 16 anos, ela saiu da vida de família rica para assumir um papel de duquesa, mas sofreu com o controle do marido. Ele a achava inconsciente do papel que deveria representar, limitava as ações dela e à medida que o casamento degringolava, Alfonso se tornou paranoico e agressivo de que as pessoas soubessem de sua fraqueza. E era um bloqueio que o irritava, porque o que ele não conseguia com a esposa, tinha com a amante. No entanto, ela não poderia dar a ele o herdeiro oficial de que ele tanto precisava para garantir a manutenção da família no poder e sossegar as pretensões de Roma.

- Para completar, ainda temos a visita de fra Pandolf, um franciscano que era um artista reconhecido. Ele chega a Ferrara com seus ajudantes, especialmente Jacomo e Tomaso, para realizar um afresco encomendado que representa a passagem mitológica dos Argonautas. Acompanhamos o processo dos artistas – você sabe como é pintado um afresco? É a sua chance de aprender – e os truques e provocações usados pelos artistas. E como realmente uma obra de arte pode passar mensagens além da óbvia, basta que você tenha conhecimento amplo.

- Dá angústia, dá desespero, dá pena, dá horror do ponto a que as pessoas chegam por causa da ambição desmedida pelo poder e quando se sentem pressionadas com medo de perdê-lo. Ao mesmo tempo, a autora mostra o quanto uma decisão infeliz pode acabar em algo ruim. E como destinos se cruzam sem as pessoas perceberem. É uma história sobre o amor ao poder, ao status quo, à família, aos amigos e sobre o estrago que a falta dele faz. Não esperava tanto peso. Mas nem sempre a vida é fácil, né? Mesmo quando se trata da versão de uma vida instigada a partir da curiosidade despertada por um poema.


Bacci!!!

Beta
Reações:

2 comentários :

  1. Galgar um trono de duquesa não significaria felicidade e riqueza necessariamente. Ela tem uma expressão de tristeza com desesperança, quase um desamparo aprendido, naquele quadro. Ela era linda, mas sua beleza refletia sua tristeza e não o que deveria ter sido sua ventura. Eu espero que ela tenha fugido com um amante que amava-a e era amado, de verdade, escondidos para sempre pela névoa de tempo.

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  2. É um livro que desperta o meu interesse porque amo História, mas sempre passo por um sufoco com histórias assim baseadas em fatos reais. Lembro do quanto sofri com os filmes A Duquesa e A Outra.

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