sexta-feira, julho 25, 2014

Ciao!


Bem, a quinta-feira foi marcada por várias notícias, algumas boas, outras trágicas, outras ruins. E uma que entre as leitoras, fãs e, até quem não sabia, ficou sabendo: o lançamento oficial do trailer do filme 50 Tons de Cinza.

Isso motivou o pedido de um grupo de insanas, como disse no Facebook, para que eu, uma notória não-admiradora da trilogia, falasse sobre o trailer. Então decidi ponderar sobre o abacaxi tamanho Júpiter que é levar esta série para o cinema. Afinal de contas, após todo aquele fuzuê internacional, não faltam admiradoras da jornada do Sr. Grey, incluindo quem apenas ouviu falar o que acontece na trilogia. E aí entra o problema: agradar a esse público para que veja o filme, volte e recomende.

Uma pausa: eu entendo as fãs da série. Afinal de contas, passei por isso com algumas adaptações envolvendo Os Três Mosqueteiros e quando resolveram adaptar Harry Potter para o cinema. Fiquei MUITO decepcionada com os dois primeiros filmes. Estavam longe do que eu (e a maioria dos leitores) havia imaginado. Até que as forças superiores enviaram a salvação que atende pelo nome e talento de Alfonso Cuarón, que entendeu que cinema e literatura dialogam, mas são suportes diferentes que exigem adaptações. Sem contar que, por melhor que seja o filme, o fã do livro sempre vai encontrar alguma ressalva, algum defeito, alguma insatisfação (pergunte aos conhecedores de Jane Austen e Tolkien sobre as adaptações das obras e aguarde a resposta, pode demorar, mas vai aparecer um “mas...”).

Ou seja, não há como dar conta da expectativa de todos – ainda mais atendê-la 100%. Pesquise Matt Bomer no twitter nos últimos dias. Ao invés de comentários sobre a reta final de gravações de White Collar ou ainda a repercussão sobre The Normal Heart, a maior parte dos comentários se refere aos contras/e partidários da escalação dele como Sr. Grey e da Alexis Bledel como a Anastasia. Nem preciso dizer que algo semelhante acontece quando se pesquisa Ian Somerhalder, né (junto com quem pode ser a próxima namorada dele)? Comentei com algumas pessoas que tinha pena do Jamie Dornan. Vai ter que aturar cada pergunta e comentário por causa do papel... (Não, Elis, não vi a entrevista no programa gringo. Meu "eu jornalista" me proibiu, após dias muito estressantes). Espero que ele tenha muita paciência. O imaginário coletivo exige uma coisa impossível de se alcançar. Às frustradas, permitam-me um “consolo” que não consola muito, mas é real: sempre pode ser pior, tipo Ben Affleck ser escalado para o Batman (não, nem pela interseção de Jared Leto em pessoa conseguirei lidar racionalmente com isso).

E eu ainda faço outra ressalva – esta de quem leu a série (eis os posts: 50 Tons de Cinza, 50 Tons mais escuros e 50 Tons de Liberdade). Resumindo o que disse: o livro é mal escrito e a autora não teve competência de levar o personagem na jornada que ele merecia, ao tratá-lo como uma pessoa cujos gostos pessoais mereciam “pena”, “condescendência” e precisavam de “cura” e brindá-lo com uma paixão/obsessão/amor pela mais parva das representantes do sexo feminino (depois falo mais sobre a criatura), que entra na dele, sem sentir vontade, apenas para agradá-lo, mas querendo modificá-lo para algo “normal”. O potencial do Sr. Grey era muito bom, era para ser um personagem disputado a tapa pelas possibilidades que oferece ao intérprete. Pergunte a um ator (bem, vamos considerar ator aqueles que se esforçam e estudam para merecer a profissão, não o bando de deslumbrado que se acha só porque aparece na tv ou no cinema) se ele recusaria um personagem que por trás de uma fachada atraente e poderosa é um mergulho a um lado negro, desconhecido e complexo? Então, a autora não soube desenvolvê-lo e no final eu já não sabia se queria bater na criatura, um poço sem fim de insegurança, mimos e pitis ou na criadora, que implodiu um bom personagem ou nos dois, que cansaram a beleza que não tenho. O macho alfa dominante virou “Biscoito Globo”, usando a metáfora que aprendi com a Andrea (muito melhor que a minha comparação com paçoca).  Por isso, ele não entrou entre os meus favoritos na lista de Piriguetagem Literária de 2012 e 2013, para surpresa de algumas visitantes do blog. Com esta escorpiana, nada deste Sr. Cinza - o que ele poderia ter sido, talvez me interessasse. Mas infelizmente, neste caso, "talvez" não existiu nem vai existir.

Sobre a Anastasia, eu parto do princípio que a ideia da autora era criar uma protagonista feminina com a qual as leitoras desejassem se identificar. Pois é, “Houston we have a problem”. Eu não consegui me identificar com uma criatura que passa 3 livros, mais de 600 páginas no seguinte dilema:

“Uau, ele é lindo. E poderoso. E sensual. Não consigo parar de pensar nele”.
“Ele me quer!”
“Ele me quer????????”
“Ele me quer...”
“Por que ele me quer?!?!?!”
“Não faz sentido ele me querer?”
“Não estou à altura dele!”
“ELE ME QUER!!!!!!”
“Ele me quer, mesmo????”

... Quem merece isso, gente?

Como se não bastasse, a parva é a mais pura das criaturas na face da terra. Mais um caso clássico de autora que confunde inocência com burrice e virgindade com leseira. Do tipo que cairia em todos os golpes do mundo, correria de braços abertos para o assassino, corta o fio errado, bebe veneno achando que é kissuco... Estamos em um mundo onde você praticamente tropeça nas informações, não é possível levar a sério essa criatura. Lá pelas tantas, você começa a acreditar que o Sr. Grey precisa benzer, porque uma mulher assim não é amor, é castigo por carma desta vida e de todas as vidas passadas. 

E me permitam não entrar no mérito da descrição do BDSM citado no livro. Realmente não tenho repertório para julgar, porque não tenho o costume de ler histórias deste estilo. Neste caso, sou obrigada a repetir o que ouvi de outras pessoas com mais bagagem neste tipo de leitura: 50 Tons não traz nem sombra do BDSM. Ou seja, a autora teria feito uma mistureba superficial e, para sorte dela, muita gente gostou. E os que não gostaram e leram mesmo assim, ficaram com uma história repetitiva em três partes, esticada até Jó perder a famosa paciência dele. 

Espero que os roteiristas façam o melhor que puderem com essa matéria-prima que não me inspira a menor confiança. Partindo disso, o trailer ficou muito bem feito, em cima do melhor resumo possível para a história. Dakota está a cara da tontice da Anachata e o Jamie faz o melhor que pode com o poderoso Sr. Cinza. Sem contar que nunca é demais olhar homem bonito em alta definição, né?

Ah, se eu vou ao cinema ver o filme? Não está na minha meta. Se eu nunca vou ver o filme? Bem, pra isso existe as famigeradas reprises dos canais por assinatura - ele vai entrar no meu caminho, com certeza. Mas não é prioridade. Se for pra ver um filme sem história, prefiro ver Magic Mike de novo (sim, é uma decepção em se tratando de Steven Sodenberg na direção, mas a performance dos moços bonitos no palco compensa... E também vai ter sequência, então, não me vejo no prejuízo).

E para quem não viu, eis o trailer.


Bacci!!!

Beta 
Reações:

7 comentários :

  1. Oie Betinha,
    Sendo eu uma das insanas que faz piquete pra Palavras de Mulherzinha, sinto a necessidade de vir comentar assim, de imediato.
    Eu sei que eu vou assistir ao filme, porque, assim como os livros, preciso ver para poder me sentir no direito de dar opinião. Só que também sei que isso será uma tortura, justamente por ver nesse livro todas as falhas que me fizeram largar outras autoras que escrevem sobre BDSM: a crítica velada (ou não tão, como é o caso), a falta de conhecimento prático, a falta de pesquisa e o inaceitável julgamento do que o outro faz ou deixa de fazer no quarto. Já larguei muitas autoras que escolheram tratar sobre esse tema, tão delicado e mal interpretado, justamente por elas resolverem, no meio do livro, que os personagens passariam a dizer que precisavam de cura ou que aquilo era um vício e precisava ser tratado. Acho que quando você escolhe um tema para escrever e ele é um tabu, você tem que manter a mente aberta e o julgamento trancado na gaveta. Não foi o caso de 50 Tons. Bem verdade que eu li os três livros e que os li em carreira, praticamente sem conseguir largar. Mas, pra mim, que tenho uma coleção enorme de romances eróticos (e nenhuma vergonha deles), foi como assistir um acidente de trânsito horrível: simplesmente impossível desviar os olhos.
    Não sei se alguma equipe conseguiria transformar os três livros num bom roteiro, mas espero que, pelo menos, não cortem tanto a história que fique parecendo um livro com classificação livre.

    Bjus

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  2. Oi Beta!
    Assim como a Barbara, que engrossou o pedido para a postagem, não posso deixar de comentar.
    Eu li a trilogia completa e acabei gostando de algumas partes. Isso não significa que é o melhor livro que já li na vida ou então, que é enredo mais complexo onde a autora criou personagens marcantes e etc.
    Não, a autora não sou aproveitar totalmente o material que tinha em mãos, o que é uma pena.
    Quanto ao filme, ainda não me decidi se quero assistir no cinema, mesmo que eu não deixe de lado ver um homem bonito em alta definição, rsrs. Preciso ver um pouco mais do que divulgarem para tentar notar se o casal terá química, para que eu aguente o tempo do filme sem dormir no cinema (é, eu sou dessas que dorme no filme quando fica entediada kkkk).

    Bjks!

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  3. Oi, Beta!

    Apesar de não ter lido a trilogia, eu queria muito saber seu comentário sobre o trailer...

    Admito que até hoje, apesar das insistências das amigas não senti nenhuma curiosidade em ler...

    "Como se não bastasse, a parva é a mais pura das criaturas na face da terra. Mais um caso clássico de autora que confunde inocência com burrice e virgindade com leseira. Do tipo que cairia em todos os golpes do mundo, correria de braços abertos para o assassino, corta o fio errado, bebe veneno achando que é kissuco... Estamos em um mundo onde você praticamente tropeça nas informações, não é possível levar a sério essa criatura. Lá pelas tantas, você começa a acreditar que o Sr. Grey precisa benzer, porque uma mulher assim não é amor, é castigo por carma desta vida e de todas as vidas passadas. "

    E é por essas e outras que caminho por águas distantes...

    bjos
    Mara

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  4. Eu li a trilogia de boa, não tinha expectativas nem tinha pensado muito no que eu iria encontrar. Então não me espantei com a qualidade baixa da escrita da Dona Erika.
    Terminar o primeiro livro foi complicado mas os outros dois eu li de boa, me divertindo com aquele Inconsciente e a Deusa interior rs
    Agora a parte sobre o BSDM foi uma piada de mal gosto lá isso foi...

    O que eu sempre tenho como lema sobre o mundo literário é o famoso "Posso não concordar com você mas defenderei seu direito de dizer o que você pensa".
    Isso que vem me irritando ao longo dos anos, as pessoas não concordam e por isso querem calar a boca das opiniões que são diferentes.
    Por isso que quis demais esse post hahaha
    Ahhh ele só falar verdades e a Ba e a ka só acrescentaram muito bem.

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  5. Hahaha magic Mike :)
    Bom, vou jogar mais lenha...... O que esperavam de uma história baseada em outra super fraca. Na verdade Acho q o grande problema nem é esse, é a inexperiência da autora.
    Qdo traduziram chegou a melhorar algumas coisas kkkkk em inglês, há coisas tão ruins que cheguei a comentar com a Ba que achava que havia algo errado no texto kkk
    Eu sempre comentei que a autora conseguiu estragar o potencial da história...
    Mas tento ver o lado bom, o mercado viu que havia um gênero deixado de lado.
    Tenho pena dos produtores, roteiristas e diretor pq terão que agradar fãs xiitas, conquistar novo público e tudo isso com uma história fraca.
    Tomara que só tomem como base algo do livro e criem algo bom de fato.
    E seu texto Beta, como sempre, maravilhoso!
    Bjks

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  6. Oi, gente!

    Bem, concordo com a Beta: a ideia do personagem masculino tinha tudo para ser sensacional, o sonho de qualquer ator, mas teve o azar desgramado de cair nas mãos de uma autora superficial e deu no que deu: dominador biscoito Globo. No mínimo aperto, se esfarela todo. Fico imaginando o que uma Maya Banks faria com um material desses...

    A personagem feminina, então... Idiota, parva e lesa foram os adjetivos mais levinhos que vinham à minha mente enquanto lia. O que era aquela deusa interior fazendo piruetas, então? Fala sério, gente! Sou adulta e não quero ficar lendo pensamentos pré adolescentes vindos de uma mulher adulta. A Beta tem razão, que mania é essa de confundir virgem com idiota? Não engoli...

    Com relação ao filme, concordo com a Bárbara: a gente tem que ver prá poder julgar. Portanto, verei. Só vou ver no cinema se tiver companhia. Se não, vou esperar passar no Telecine. Mas como disse no post do Facebook, o trailer pareceu bem feitinho e, quem sabe, o roteirista deu ao casal alguma vida e fez algo mais consistente do que no livro? Acho que os dois atores principais são uns corajosos: ou vai ser um fiasco total, pelo qual serão lembrados e sacaneados pela eternidade, ou vai ser a chave do sucesso, já que os dois não tem grande expressão atualmente.

    Gostei também da música da Beyonce. Achei adequada ao clima da história, mas deixando claro que não gosto dela. Apenas achei que a versão da música se encaixou bem no contexto. Por mim, a Beyonce com suas caras, bocas e bicos, roupas vulgares e músicas de mau gosto poderiam tranquilamente ir... bem... deixa prá lá...

    Beta, sua resenha foi ótima. Ponderada e isenta, nada insana. Parabéns!

    Beijos!

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  7. Ah, eu não li essa trilogia, sequer estou pensando em ler. Principalmente depois que uma criança pré-adolescente disse-me que sua crítica não é boa e que uma mulher disse-me que "ficaram tão impressionados porque ele fazia umas coisinhas à toa com ela, como dar-lhe chicotadas". Isso chama-se tortura para mim. Talvez eu lace meu namorado para ir ao cinema comigo pois não estou pondo fé nesse apelo desse filme.

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