domingo, janeiro 26, 2014

Ciao!!! 


Este foi um dos livros ligados a esporte – futebol, especialmente – que acrescentei à minha coleção, durante as compras na Wook. Sim, 2014 será o ano “vou diminuir a pilha²” (bem, se não fizer, não terei espaço para novos livros). Para abrir os trabalhos, um livro sobre o controverso e polêmico aniversariante do dia: José Mário dos Santos Mourinho Félix.

Código Mourinho: decifrar o êxito do Special One – Juan Carlos Cubeiro e Leonor Gallardo – Planeta
(Código Mourinho –2012 – Planeta Manuscrito)
Personagens: entender os conceitos de liderança praticados pelo técnico José Mourinho

Quando eu escolhi este livro para comprar, estava interessada em mais informações sobre o então técnico do Real Madrid, José Mourinho, que completa 51 anos hoje. O treinador português famoso por montar times que disputam (e ganham) títulos, pela expressão mal-humorada, pelos confrontos épicos com a imprensa e os não fãs do trabalho dele. E que justifica a expressão “ame ou odeie”. Fiquei curiosa pela proposta deste livro (que não é uma biografia): analisar o método de trabalho do treinador e relacionar com os conceitos de liderança de equipe e gestão desportiva. Os autores são especialistas nisso e aplicaram o estudo neste objeto interessante. O livro não tem entrevista exclusiva com Mourinho – ainda mais porque a persona pública dele não morre de amores por jornalistas (e a persona privada só é conhecida pela família e por amigos mais íntimos) – e eles usam muito do que é mostrado pela imprensa, seja a oficial dos clubes onde trabalhou ou as dos países (prós e contras) onde morou.

Os autores detalham o que se pode apreender do modus operandi de Mourinho de lidar com os clubes, com a equipe, com os torcedores, os adversários, os fãs e os não-fãs, as trocas de equipe, o relacionamento com os fieis escudeiros (os homens de confiança com quem ele sempre trabalha, não importa onde vá). O livro analisa a passagem por União de Leiria, Porto, Chelsea, Inter de Milão e os dois primeiros anos no Real Madrid – a terceira temporada em 2012/2013 foi a última e o técnico voltou ao Chelsea, onde está atualmente. Gostei do comparativo das primeiras entrevistas em cada clube – o fato de ele ter chegado em três países diferentes, Inglaterra, Itália e Espanha falando o língua local, diferente do Português nativo dele. O fato de ter se assumido como “The Special One” logo na chegada, alcunha usada primeiro como deboche e, depois, como status que o diferenciava dos demais.

Algumas coisas eu já havia percebido pelo acompanhamento que fiz enquanto detestava o português - ele foi técnico do Chelsea, eu prefiro o Liverpool (o livro me surpreendeu ao contar que Mourinho preferia ter ido pro Liverpool, mas o time vermelho preferiu o traíra do Rafa Benítez – clique aqui se você não sabe porque detesto ele) e houve uma época em que os dois times se encontravam o tempo todo em competições e sempre, sempre dava confusão (o acerto de contas eterno entre Xabi Alonso e Frank Lampard garantia o clima de “ok, quem será expulso hoje?”). Depois Mourinho foi pra Inter de Milão e, como já disse, torço pra Fiorentina. Foi nesta época que comecei a ver Mourinho com outros olhos. O motivo: ele veio participar de um evento no Brasil e deu uma longa entrevista ao Sportv em 2008 (até procurei o link, mas só achei estevídeo). Ele foi simpático, falou sobre vários assuntos, foi muito simpático e esbanjou conhecimento sobre futebol. Claro que isso atrairia a minha atenção, né? Então ele foi para o Real Madrid para ser o salvador que anularia o Barcelona de Guardiola, que estava no auge do poder de fogo do tikataka (aquele estilo de manter a posse de bola e ficar tocando até conseguir uma brecha que permita chegar ao gol e marcar). Conquista amigos e inimigos nos lugares com uma facilidade incrível. No caso do Real Madrid, que acompanhei mais de perto, a briga com a imprensa afetou o vestiário. Mourinho queria isolar o time e afastou jornalistas que tinham acesso aos bastidores. Além disso, aos poucos, foi afastando/se livrando de todos que considerava não adequados ao projeto dele (não acreditei quando soube que ele conseguiu tirar Guti e Raúl do Real Madrid. Isso foi chocante. Achei que Raúl só sairia do clube quando se aposentasse. Ou nem assim). À imprensa catalã – que considerava Mourinho o mal supremo do futebol – se uniu a imprensa madrilenha. Imaginem como as entrevistas coletivas eram animadas... até quando ele não ia. Chegou ao ponto dos jornalistas espanhóis se retirarem da sala em uma das vezes que ele mandou o assistente, Aitor Karanka, para falar na coletiva. O livro fala na demonização do personagem “Mourinho técnico”, reforçando o fascínio que os vilões exercem sobre as pessoas (eu que virei #TeamLoki sou comprovação disso)

- Infelizmente o livro não analisa as causas da saída dele do Real Madrid... Renderia um capítulo interessante, avaliando onde houve falhas na metodologia dele. Pra quem não acompanhou, ele angariou inimigos em Madrid como eu compro livros. Os piores estavam mais perto – jogadores suspeitos de vazar para a imprensa bastidores e desavenças internas para minar o técnico. A partir do momento em que Mouinho puniu o principal suspeito de ser o “delator”, o goleiro e capitão Íker Casillas, alegando que a reserva era por por “deficiência técnica” instalou-se um quiprocó que podemos resumir como “diabo na casa de Cristo”. Para a imprensa, se Mourinho era o mal encarnado, agora era mais que um capeta. A torcida ficou dividida entre os partidários do técnico mourinhistas e os de Casillas. Não tenho informações privilegiadas, mas realmente Casillas cometeu uma série de falhas que normalmente não costumam acontecer com ele e, que se fosse qualquer outro goleiro, teria sido barrado muito antes. No entanto, o fato de namorar uma jornalista e ter boa relação com a imprensa o transformava no “principal suspeito”. Talvez algum dia haja mais informações comprovadas que partidarismo nesta história... Mourinho foi embora, retornou ao Chelsea e Casillas continuou sem ser titular incontestável (o novo técnico do Real Madrid, Carlo Ancelotti, deixou Casillas titular nos jogos das Copas do Rei e da Liga dos Campeões e o Diego López é o titular na Liga Espanhola).

O interessante é que os conceitos discutidos no livro podem ser aplicados em qualquer lugar: desde a família até o emprego, mesmo que não tenha nada a ver com futebol. São estratégias universais para convivência e trabalho em equipe – e fiquei feliz em perceber que praticava algumas sem saber (na verdade, resultado da filosofia que o vôlei implantou na minha vida. Para uma pessoa antissocial como eu, só o esporte para ensinar as vantagens de trabalhar em equipe). E eu uso isso descaradamente na minha vida profissional. Em resumo, foi uma leitura rápida e proveitosa. Agora vou procurar uma biografia do técnico português mal humorado...

- Links: Wook; editora

Bacci!!


Beta
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