domingo, outubro 06, 2013

Ciao!!!


Demorou um pouco além do previsto (culpa da minha dificuldade em ler e-book), mas finalmente este romance histórico cercado de mistério apareceu por aqui...

Aposta Indecente – Matilda Wright – Quinta Essência
(2013 – LeYa)
Personagens: Catherine Duvernois e Louis de Villerclaire

As consequências de uma aposta mudaram a vida de Catherine mais uma vez. Agora ela estava à mercê de um marquês boêmio e que não acreditava nem em amor, nem em casamento. E ele estava disposto a transformá-la em sua nova amante. Louis não tinha motivo para acreditar nas mulheres – e por mais que Catherine parecesse inocente, ele não conseguia crer. E as intrigas da nobreza no reinado de Napoleão III poderiam complicar ainda mais a situação do conquistador inverterado e afastá-lo do verdadeiro amor.

Comentários:

- A minha grande educação em romances históricos aconteceu na época da parceria Harlequin + NC. Foram os primeiros que eu li. Aliás, por muito tempo, foram os únicos que eu li (sim, tem vários que já li séculos antes de ter o Literatura de Mulherzinha e que ainda não estão aqui. Espero conseguir colocar essa lista em dia). E por que muitos deles se tornaram inesquecíveis e referências para mim? Porque tinham personagens bem construídos em ESTÓRIAS contadas de forma equilibrada dentro da HISTÓRIA.

- Fiz essa introdução porque percebi em Aposta Indecente indícios de que poderia ser um bom romance, mas por alguma razão a mistura fica incompleta e não funciona plenamente. Temos Louis, o protagonista boêmio e libertino, que adora os prazeres da carne (as aventuras do rapaz são descritas com riqueza de detalhes), que, por ser marquês e ainda solteiro, é alvo da atenção de todas as damas com filhas em idade de casar e lógico tem verdadeiro horror ao matrimônio. Nem pelo bem do título e de ter herdeiros.

- Temos uma protagonista inocente à mercê dos rompantes cruéis do destino: primeiro, Catherine perdeu a mãe muito nova, depois passou longo período estudando no convento, de onde só saiu para ser entregue em casamento como resultado de uma aposta entre seu pai e um tabelião, ambos viciados em jogos. Cinco anos depois, quando começa a história, o marido é morto em uma briga e ela descobre que ele havia deixado tudo que possuía – inclusive ela – a um dos credores, justamente Louis, o marquês-boemia-aqui-me-tens-de-regresso que tem IRC de casamento. Até o encontro dos dois, a descoberta da aposta e as consequências: Louis decide levá-la para a propriedade dele no Vale do Loire para torná-la sua amante, temos um terço da história (cerca de 50 de 179 páginas).

- Com esse casal protagonista de interesses tão díspares e óbvio confronto a caminho, daria para prever uma história no mínimo explosiva, com ele tentando seduzi-la, ela resistindo até ambos se apaixonarem e serem felizes para sempre. Mas não é isso que acontece. Não sei os motivos, mas posso deduzir que se deve à inexperiência da autora. Porque ao final do livro, concluí que ela contou pelo menos umas cinco histórias: Louis, Catherine, Clea, Eunice & Blanche, Isabella. Fora o grupo de amigos de Louis, citados sem tanto aprofundamento (que me fez pensar até que este seria o primeiro de uma série, cada qual contando como os outros nobres terminaram casados – porque ainda não estão neste livro).

- Faltou alguém conversar com a autora e mostrar coisas que funcionavam ou não na história. Senti falta de entender como Louis e Catherine se apaixonam já que passam a maior parte do livro distante um do outro – um “amor à primeira vista” é insinuado no terço inicial, mas não vinga após Louis concluir que Catherine mentiu para ele. E aí, no terço final, quando o marquês (depois de passar a parte intermediária do livro aperfeiçoando o significado de “vou cair na gandaia com todas as mulheres disponíveis em Paris oh la la”) volta mais arrependido que Madalena, jurando amor e preocupado em não ser correspondido, a reação de quem lê é “Uai, como assim? Amor que vem do além?”. Catherine sofre mais que mocinha de novela mexicana ou de novela das 9: está tão à mercê do destino que não consegue reagir. E quando você pensa que não pode piorar, ela descobre que sim, poderia ainda ser muito pior. Quanto a Eunice & Blanche e Isabella, confesso, foram as coadjuvantes que gostei no livro: as pseudonobres que querem garantir uma vida de riqueza por meio de um casamento com um homem rico (no caso adivinha quem é o alvo escolhido?) e Isabella, a amante que resolve os problemas do protagonista encrencado, estão na medida certa.

- Em alguns momentos, me senti em dúvida qual a linguagem do livro. O fato de ser romance histórico não precisa ser rebuscado e chato de ler. No entanto, fiquei na dúvida com algumas coisas e não entendi se é Português de Portugal, Português do Brasil ou uma mistura de tudo. Moral da história: não é ruim, mas poderia ser melhor. Para muitas pessoas, uma boa diversão em tarde de leitura.

- E o mistério sobre a autora: ninguém sabe quem ela é. A editora informou em release para a imprensa que “nasceu em Londres, em 1968. Estudou Literatura Inglesa em Cambridge e vive com o marido na região de Cúmbria, no norte da Inglaterra, onde criam cavalos. Têm quatro filhos que, de vez em quando, também vivem na mesma casa”. Não há outros registros de livros dela e nem da publicação desta história em Inglês: só em Portugal e, agora, no Brasil.

- Linkitos: Há comentários no Goodreads e vale ler o que a Nat achou do livro no Menina da Bahia e ela também conseguiu uma entrevista com a autora!

Bacci!!!

Beta
Reações:

2 comentários :

  1. Decepção, este é o seu nome! Sem contar que estou procurando o romance desse livro até agora...
    Sei lá, e acho toda a história dessa autora muito estranha (o livro supostamente é inglês mas não tem título original naquela língua? O.o)
    Eu também achei os coadjuvantes o melhor do livro.

    bjs!
    Thaís
    http://umaconversasobrelivros.blogspot.com.br/

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  2. Vindo pela contra-mão novamente: interessantíssimo ...

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